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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Suplicantes

O publicano feliz peca, faz
do roubo respeitabilidade.
Seus olhos tudo enxergam com a
astúcia das aves de rapina.
Moedas como figos, dinheiros
como pães, vítimas como filhos,
filhos como bocas. O preço é
traição aos pais, ao sangue do irmão.
Com esposa estrangeira e seus
escravos compatriotas, sua fé
existindo quando há problemas,
Deus existindo para os resolver.

Infeliz peca o fariseu, faz
da noite sua capa, do escuro
seu escudo, do coração o seu
esconderijo. Seus olhos vêem,
pelas lentes da lei, a justiça
impossível: o ódio a si
torna-se logo ódio aos seus,
seus pares e seus inferiores.
"Sente-se aos meus pés e aprenda
justiça, satisfaça o juiz."
O juiz que ele odeia, o
Deus que existe para condenar.

O publicano, honesto em sua
desonestidade, com lágrimas
implora o perdão da semana.
O fariseu, mentindo para Deus
tanto quanto a si mesmo, gaba
de sua justiça inexistente.
O juiz ouve um e ignora
o outro. Ao publicano perdão,
ao fariseu seu silêncio. Deus!
Tenha piedade do fariseu;
A gabolice do santo também
pode ser um gemido por graça.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um Fevereiro

O livro está disponível para download aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

XI.
Onde, neste labiríntico jardim
ocultarei a face?
antes, além de mim,
havia outro, até que o matasse.

Que marca me darás? Quem me guardará
dos terrores eternos?
a terra em que pisar
não há de me queimar com seu inferno?

Estes prados desertos encherão
Os feros vingadores
Do sangue de seu irmão,
Atrás de quem de novo trouxe as dores

Para seu povo; a velha maldição
Torna amargo o mais doce
Fruto, e vermelho o chão.
Se diferente a minha pena fosse

Seria por um delito diverso:
o golpe com a destra
foi são, mas foi perverso.
A minha inveja, esta maior e mestra

culpável do que em mim se passou:
Por ela achei ruim
Tudo, mas não o que dou.
Um boi é um magnífico capim,

Apenas um magnífico capim!
Não vale quem suou
Sob sol tão quente assim,
Não amas, pois, quem a chuva molhou

E nem por isso desistiu de arar
O chão, mesmo no inverno;
Nada vale plantar?
Não nos negaste o alimento eterno?

De onde tiraríamos o pão
senão de entre os suores
e da abnegação,
senão pulando do leito aos albores?

Não somos prisioneiros de teu não?
Somos! Se assim não fosse
tocava-me o perdão,
agora – e também quando meu irmão

Meu ódio mereceu: Desde o berço
A ele tu adestras,
E tudo quanto exerço
Ele o faz melhor, e te seqüestra,

Senhor, com uns bezerros! E a mim
Que ofertei doutra classe
O que podia; assim
Me repudias! Onde a minha face

Ocultarei neste infernal jardim?