Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pode um cristão perder a salvação?

O título foi pra rimar! Nem sei se está certo gramaticalmente falando, mas rimou, ficou bonitinho! Bom, começando de verdade, este domingo fui à EBD (sim, a muito tempo que não ia) e rolou um debate sobre o tema "O crente pode perder a salvação? Sim ou Não?" (isso também rima). Eu tentei falar algumas coisas lá e me enrolei todo, então quis escrever aqui pra me redimir e tentar falar o que eu tentei lá de um jeito que seja inteligível!

Logo que o tema foi introduzido eu pensei: será que isso importa? Existem muitos textos bíblicos que validam o ponto de vista que o cristão não pode perder a salvação, e pra mim essa resposta está ok. No final das contas, quem realmente sabe quem é salvo ou não somos nós mesmos e Deus, de forma que na minha cabeça a verdadeira resposta é "tanto faz". Eu acho que o grande problema aqui não é descobrir a resposta mas entender o motivo da pergunta. Qual é a minha real preocupação quando eu faço esse tipo de pergunta?

Eu acho que a gente começa a entender o motivo da pergunta quando pensamos no que é a salvação pra gente. A salvação é uma passaporte para o céu ou uma forma de escapar do inferno? A salvação é um meio ou é um fim? A salvação é um prêmio ou um presente? Talvez, a real pergunta aqui seja "por que eu quis a salvação?". Não sei se eu estou me enrolando tanto quanto na EBD mas o que eu quero dizer é: será que eu quero saber se eu posso perder a salvação por ter feito ou deixado de fazer algo? Será que a minha preocupação é se eu vou ou não vou pro inferno?

Eu acho esse tipo de pensamento muito "egoísta" (eu não sei se é esta a palavra mais correta, mas enfim) uma vez que, aparentemente eu só quero me safar, livrar meu próprio "couro" do fogo eterno do inferno. A minha motivação é o medo e eu quero saber quais regras eu tenho que seguir pra não acabar lá. O João escreveu uma vez sobre como a salvação nos alcança, explicando que nós, por nós mesmos, não somos capazes de alcançá-la. Eu me pergunto, se nós não somos capazes de alcança-la porque seríamos capazes de perdê-la?

Eu, como cristão criado no meio Batista, tive muita dificuldade em entender o conceito de liberdade que Jesus introduziu através da graça derramada por meio da cruz. Eu, de fato, sou livre pra fazer o que eu quiser e o que me pauta nas decisões do dia a dia não é o fato de eu poder, mediante uma atitude ou outra, ir para o céu ou inferno. O que me motiva é o amor que eu sinto por aquele que me ama mais que tudo, que foi capaz de entregar seu próprio filho por mim. O meu desejo pela salvação, hoje, não nasce pela vontade de escapar do inferno. Nasce da vontade de responder ao amor de Deus, mesmo que de forma incompleta e débil.

domingo, 17 de agosto de 2008

É o amor...

Eu sei que já faz muito tempo que não apareço por aqui. Na verdade apareci uma vez só, mas logo pretendo aparecer mais vezes (assim que eu me demitir do meu atual emprego).

Estou aparecendo pra responder ao Igor naquela “brincadeira” que ele sugeriu a um tempão atrás... O tempo do assunto já passou, mas eu não quis deixá-lo sem uma resposta, mesmo porque eu disse que daria uma.

O problema agora é dar uma resposta depois que o João já deu uma. Assim fica complicado, difícil demais pra mim. Não me restou muito que dizer, mas vou tentar.

Enfim. O Igor perguntou lá atrás: “eles crêem que eu me salve pela fé. Mas basta mesmo ter fé? Creio em um só Deus, Pai Onipotente, e em Jesus Cristo, seu filho unigênito, Nosso Senhor - Isso basta para ir pro céu?”

Creio que não podemos nos esquecer que toda árvore dá seu fruto, e aquela que não dá fruto, está morta. A fé que o João tão bem nos explicou gera em nós verdadeira transformação e, apesar de Paulo nos dizer que não precisamos de nada além desta fé para que sejamos salvos, Tiago nos instrui a demonstrá-la. E isso porque não adianta nada a gente dizer que é alguma coisa se ninguém pode ver e comprovar isto. “Ah, mas Deus ta vendo, isso que importa...”, seria simples assim se nós não fossemos a Igreja, o Corpo de Cristo na Terra. E quem é Cristo? O que Ele representa pra nós? O que nós queremos que os outros enxerguem de Cristo em nós? É baseado nisso que devemos regrar nossas palavras e atitudes. Não adianta você dizer pra uma pessoa que a ama. A palavra nunca vai conseguir traduzir o amor, mas uma atitude sim, e esse tipo de atitude só é possível através de uma verdadeira transformação gerada pela fé que é o dom de Deus, conforme I Coríntios 13.

A fé, aquela que salva e transforma, é dom de Deus, é dádiva que nós escolhemos receber ou não. A diferença entre ela e o simples assentimento intelectual é o fruto. É o amor.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

E isto não vem de vós

Respondendo ao desafio do Igor, vou explicar, de modo grosso e geral, o que significa o conceito protestante de salvação pela fé. Salvação pela fé é uma expressão mal-usada, muitas vezes, justamente porque leva pessoas a acharem que tudo o que basta para a salvação é uma espécie de assentimento intelectual. "Sim, sim, Deus é jóia, e Jesus é maravilhoso- agora sou salvo também." Não é. A salvação nunca- nunca, nunca- pode partir de iniciativa nossa, nunca é uma decisão inicial nossa, nunca é uma busca nossa. Não é uma questão simples de "ter" fé. Mas vamos começar do começo.

O homem sem Deus não tem a possibilidade, a chance, a sombra de uma esperança, de satisfazer a justiça eterna de Deus, e nem a menor vontade de fazê-lo. Romanos 3:9-20 já explica claramente a posição humana. Por isto, apesar de muito querer, não consigo acreditar na salvação daqueles que nunca ouviram o evangelho; eles não podem ser batizados pelo desejo pelo simples motivo de que o desejo do homem caído é completamente corrompido. Egoísmo, ódio, e a inimizade contra Deus são o status espiritual inicial de todo ser humano, e é isto- e não o fato de nunca terem ouvido o evangelho- que os condena. É a doença que mata, não a falta de remédio.

Esta incapacidade de justiça real, de buscar a Deus, também é o motivo pelo qual o homem não pode simplesmente escolher ter fé. É o motivo pelo qual obra nenhuma- nem mesmo a obra de amar a igreja, ou de pertencer a ela- pode salvar; nossa justiça é imunda, nossas mãos são fracas, nossa vontade é escrava, e nossa fé não é nem mesmo nossa, porque é um dom de Deus, e não uma decisão humana. Se o homem pudesse ser salvo por obras, poderia ser salvo pela lei; e se o homem pode ser salvo pela lei, Jesus morreu em vão. O homem é salvo inteiramente pela ação e misericórdia de Deus. Ele nos busca, e não vice-versa. Nesta visão de depravação total tanto calvinistas como arminianos concordam.

O novo nascimento, o momento em que o homem deixa de viver em trevas e passa a andar na luz, o momento em que ele deixa de pertencer ao mundo e passa a ser um filho de Deus, é resultado da fé. Através da fé o homem pode aceitar o sacrifício de Cristo, através da fé o homem pode entrar na nova existência; mas esta fé não é, como já foi dito acima, uma atitude humana, um mero assentimento intelectual. É dom de Deus. Aliás, o próprio Paulo explica isto majestosamente em Efésios 2, uma das mais perfeitas exposições da doutrina da salvação. Daí a dificuldade de definir "que tipo de fé" salva; porque a única fé verdadeira, a fé real que gera arrependimento e salvação, vem exclusivamente do alto, e é impossível compreendê-la completamente.

Quanto a como o homem recebe esta fé- seja pela graça irresistível de Deus, segundo seu conselho eterno (como diria um calvinista), seja pela graça preveniente de Deus, segundo sua vontade de salvar a todos (como diria um arminiano)- isto é objeto de debate esquentado; mas debate intra-protestante, e não debate protestante-católico. Ambos, no final, afirmam a mesma coisa: apesar da salvação vir pela fé, a fé não é criada por nós, mas dada por Deus. A salvação não vem se você combinar as doutrinas certas em sua mente, como se a salvação fosse uma receita de bolo com diversos ingredientes; a salvação vem quando você recebe de Deus o dom da fé- e esta fé não é uma sensação fofinha, uma mera inclinação espiritual ou mística, mas carrega dentro de si um conjunto de doutrinas sólidas e eternas. A fé não é mero assentimento intelectual, mas ela opera não somente no coração, mas também (e talvez principalmente) na mente.

Quanto ao conteúdo desta fé, os pontos específicos nos quais passamos a crer, é complicado dizer que um ou outro é absolutamente necessário como sinal de que a fé é verdadeira. Creio, porém, que a fé gerada por Deus estará fundamentada nas seguintes verdades: que há um só Deus em três pessoas: Pai, Filho, e Espírito Santo; que este Deus é nosso criador, e criador do universo, e que todas as coisas foram criadas para sua glória; que pelo pecado de Adão nos tornamos pecadores merecedores do inferno, mas a misericórdia de Jesus Cristo, Deus e Filho de Deus, excedeu nossa iniquidade; que Jesus Cristo, o Filho eterno, o Logos de Deus, a perfeita expressão de seu caráter, se fez carne, viveu sem pecado, foi traído, torturado, e executado, e pagou por nossos pecados com seu justíssimo sangue; que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos, vencendo a morte e garantindo a ressurreição futura daqueles que o servem; que Jesus Cristo ascendeu ao Pai, e está assentado ao seu lado direito, governando sua igreja e preparando um lugar para ela na eternidade; que Deus agora aceita e justifica suas criaturas pelo sacrifício de Cristo; que ao homem justificado é possível buscar santificação, e viver em obediência a Deus, através do poder e da presença vivificante do Espírito Santo; que há uma comunidade eterna e única dos santos, o corpo de Cristo: a Igreja, santa e gloriosa, eternamente e espiritualmente unida, apesar de estar separada por divisões temporárias e dissensões doutrinárias; que Deus nos deixou sua Palavra, santa e inspirada, proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, e para instruir em justiça; que um dia Jesus Cristo dará um fim à história humana, e que todos- os vivos e os mortos, os santos e os pecadores- darão contas perante a ele; que novos céus e nova terra aguardam os que pertencem ao Senhor, mas todo aquele que recusou sua misericórdia sofrerá eternamente sob seu juízo.

Estes são os pontos sobre os quais todo cristão pode (ou ao menos deveria) concordar, os ossos do cristianismo, os fundamentos sem os quais o edifício não pode ser construído. Não digo que a fé resultará apenas nestas crenças, mas que a fé não virá sem que elas venham junto. E é esta fé, que vem do Senhor e transforma nossas mentes, que traz a salvação, tanto do protestante quanto do católico. Esta é, de modo resumido e grosso, a posição protestante, e é o que queremos dizer quando pregamos que a salvação vem pela fé.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

E tem mais uma coisa

É verdade que estou aqui dividindo espaço com três hereges, o que pode dar a impressão errada de que eu concordo com as opiniões pessoais deles ou que não zelo pelos meus leitores, expondo-os a posições doutrionárias inaceitáveis.

Desconfortos de centrar-se em um absoluto. O livre-exame, que João, Éber e Gustavo proclamam, permite que eles façam conviver confortavelmente suas crenças, sem maior agravo. Eu não. Tenho que dizer, na face, que o livre-exame é uma heresia da qual só pode decorrer muitas outras heresias.

Eu não os amo? Claro que amo. Amo os pecadores, sem amar o pecado (até a mim me amo, e odeio meus pecados). Amo os amigos, sem amar seus erros. Amo a Deus vivendo neles. E amo a nossa base comum: As palavras do Cristo na Bíblia. A tradição Católica é um chão onde aqui somente eu ando, assim como eles seguem as tradições anglicana, luterana ou pentecostal.

No entanto, o que me levou a ser católico foi uma grande vontade de encontrar o Cristo real. Procurei, e achei o Santo Apóstolo Pedro, os santos papas seus sucessores, todos os Santos; creio que enquanto isso, Nossa Senhora pediu, e foi Nosso Senhor que me encontrou.

Então, isto claro, digo: Nossa espada comum é para os ateus, para os pagãos, e mesmo para os crentes e católicos que falam de Cristo sem conhecê-lo. É para você ver que esse assunto, o Cristianismo, está cheio de seriedade. Que seus preconceitos contra a fé são apenas isso: superstições modernas. Para os infiéis nossa espada. Mas não somos muçulmanos, então, quem quiser nossa espada pode também fazê-la sua - basta ver que ela é, de fato, uma cruz.

Isto posto, proponho uma brincadeirinha.

Eu acredito que aquele que não pertence à única Igreja de Cristo (preciso dizer qual?), quando morre, vai pro inferno, com exceção daqueles que por ignorância invencível não podem conhecer o evangelho (estes podem-se dizer que sejam batizados por desejo, se obedecem a lei natural) e daqueles que, tendo sido batizados validamente (em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com intenção de perdoar os pecados, tanto original quanto atuais), mesmo que ilicitamente, pertencem à Igreja Invisível, ou seja, mesmo fora da Igreja Católica são seus membros espiritualmente.

Aplicando estes dados, creio que meus três companheiros de blog podem, sim, ir pro céu, se se arrependerem de seus pecados e se amarem ao longo da vida a Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo, deixando este amor crescer e frutificar (eu rezando para que seja numa conversão). Isto é, pela obra de pertencimento mesmo que inconsciente à Igreja, podem se salvar.

Enquanto isso, eles crêem que eu me salve pela fé. Mas basta mesmo ter fé? Creio em um só Deus, Pai Onipotente, e em Jesus Cristo, seu filho unigênito, Nosso Senhor - Isso basta para ir pro céu? Ou senão, que tipo de fé salva e que tipo de fé perde? Com essa questão levantada, encomendo posts.