quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Volta, Princesa Isabel!
o Éber já vai casar, o Nagel casou
e seu filho nasceu bem depois de eu conhecê-lo, sua vida de homem sério já antedata nossa amizade
só sobrou um que ainda não dobrou joelho a Baal
Igor Barbosa: sim, apenas um de pé na fornalha ardente.
João: É melhor casar do que queimar *
ou, como já li- e achei a tradução mais caliente- "melhor casar do que viver abrasado"
Igor: sim. quando vc for pedir uma chica em casamento leve um cigarro aceso.
se ela recusar, queime-a e diga que é melhor casar que viver queimando
João: "Melhor casar do que viver queimando"
melhor slogan para converter gays ever
mas hey, eu nem poderia fazer isso em São Paulo
porque passaram a abominável lei antifumo
e agora é proibido fumar em bares e restaurantes
daqui a pouco vai ser proibido beber e conversar também
Igor: em SP, até São Paulo é desenhado como um gay - vc me mostrou isso.**
João: é a institucionalização da pussíce, "the pussification of the american male" descrita pelo G. Carlin
que já se extende aos seus companheiros latinos
Igor: o macho paulistano já era bem pussificado, a ponto de votar no Serra sabendo que era disso que ele gostava
João: O Serra é gay também?
Igor: não, não quis dizer isso
se bem q, né. não estranharia
só quis dizer que o Serra sempre anunciou que pretende proibir o fumo até em marte, se deixarem
João: bleh
Igor: hombre, eles proibiram até as coxinhas nas cantinas das escolas
João: COXINHA? PROIBIDA?
Igor: sim. no sabes?
João: que bastardos!
Igor: frituras
certos doces, também - cintia me lembrou dos chiclets
lembre disso: se for mandar seu filho estudar em SP, ele não vai poder comer uma coxinha no recreio
nem um risole, nem um kibe
as crianças serão criadas entre granolas, ovos cozidos, pão integral com queijo minas e iogurte
João: e nem poderão fumar no portão da escola
Igor: mas se quiserem, há camisinhas gratuitas na maquininha.
BOA, GOVERNO
João: High-five, estado!
Igor: VALEU, REPÚBLICA! CHUPA, DOM PEDRO II!
João: meh. é o que já dizia o apóstolo João: o mundo jaz no maligno.
E lembrei agora aquela nossa velha discussão sobre política no PC, hehe.***
Igor: é pq eu sou o Jackson de Figueiredo
se há buracos nas ruas, culpa da república.
se o governo proibe coxinhas e estimula sexo casual sodomita seguido de gravidez e aborto com aids entre adolescentes, maldita república
se eu tenho uma dor de cabeça, volta, Princesa Isabel!
João: hehehe
Ela pelo menos libertou os escravos
o que Serra já fez?
Igor: já libertou os próprios cabelos de viverem perto de seu cérebro MALÍGUINO
João: HAHAHAHA
Viva as piadas de careca!
(pelo menos até que eu vire mais um maldito calvo)
(estou ficando careca, mi hermano. já sinto em minh'alma)
Igor: vc sempre pode comprar uma peruca
ou viena hair.
ou trocar de nome para "IOHANNIS CALVINUS, MESTRE EM CIÊNCIAS TEOLÓGICAS"
bem original
João: Calvino, o anti-calvinista
that has a nice ring to it.
_____________________________
* 1 Coríntios 7:9
** Oh yes. É verdade.
*** Discussão na qual o Igor, talvez pelo prazer de me irritar, defendeu a monarquia e o voto nulo, e chamou o C.S. Lewis de escritor de segunda linha. Se quiserem ler os posts, cliquem no tag "política idiota" que vocês os acharão lá.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Mea Maxima Culpa
A culpa pela inatividade no blog é inteiramente, embaraçosamente minha, ok. Mas ainda terei vingança sobre meus infiéis companheiros de blog, que pararam de postar no momento em que este humilde capataz que vos escreve pendurou seu chicote na parede. Bem, o chicote está novamente em punho: escrevam, vermes!

Mas vamos lá:
* Uma prova inequívoca de que Obama é o anticristo é que embora muitas pessoas boas gostem dele (o enganador fará dos inocentes sua presa), vocês notaram que as pessoas (em especial no caso de brasileiros) que jogam confete para celebrar sua coroação como Rei da América são do tipo que você sempre achou repelente? Todas as pessoas que comparam Israel com a Alemanha nazista, as pessoas que gostam de Pablo Neruda, as pessoas que excessivamente odeiam ou excessivamente amam figuras religiosas na mídia (ódio e veneração são ambas reações ridículas quando confrontados com, digamos, a maquiagem triste e borrada da Bispa Sônia), as pessoas que dizem coisas como "arte por amor à arte" sem fazer uma vozinha jocosamente afeminada- são elas que descrevem o Obama como a esperança do mundo. Tal como Cristo reconciliará consigo todas as coisas, o anti-cristo ajunta suas hostes a seus pés, espiritualmente atraindo suas legiões de blogueiros e professores de sociologia e tias que o acham simpaticão.
* E já que Obama é o anticristo, Rick Warren é o falso profeta, especialmente agora que o Billy Graham já está quase morrendo. Todos vocês crentes que compraram livros, dvds, agendas, posteres, calendários, canecas e etc da franquia "Com Propósitos" (uma igreja com propósitos, uma vida com propósitos, liderança com propósitos, casamento com propósitos, higiene bucal com propósitos, etc.) estão doravante anatemizados. Arrependei-vos, infiéis.
* Também anátema é o acordo que proíbe aquilo que é o mais maravilhoso do português-de-Portugal, o 't' desnecessário em "Acto". Na Biblioteca Municipal de Nova Jerusalém, todos os Novos Testamentos entitularão o livro após o Evangelho de João "Actos dos Apóstolos". Nada mais pedestre que omitir letras de palavras apenas porque não são pronunciadas, ou popularmente usadas, ou de qualquer modo necessárias.
* E já que nunca usei a trema (porque meus professores nunca tiraram notas de meus trabalhos por falta de trema, ou, de fato, por quaisquer outros erros de português; é a precariedade da educação brasileira, suponho) quando era certo fazê-lo, passarei a usar trema agora. Como a primeira palavra com trema que me ocorre agora é o nome de Walter Süsskind, repetirei continuamente seu nome. Walter Süsskind, Walter Süsskind, Walter Süsskind, W. Süsskind, W. Süsskind. E também eloqüente e conseqüente.
* Dois mêses sem blog. Senhor. Espero que não aconteça novamente.
domingo, 12 de outubro de 2008
Carta aberta ao povo de São Paulo
Tenho visitado bastante sua cidade nestes últimos mêses. Grandes sebos. Bons (e relativamente baratos) restaurantes. Uma população apenas moderadamente rude e assustadora, considerando o tamanho da cidade. Clima frio e cinza, certo, mas sei que vocês pouco podem fazer sobre isso, exceto talvez relocarem, em massa, para Pernambuco. E o metrô! Ah, eu amo o metrô, poderia passar horas andando de metrô, pulando de estação a estação, atravessando o centro com um só bilhetinho.
Vocês podem rir de mim. Sei que eu, pobre pindamonhangabense que apenas recentemente voltou de seu exílio babilônico para seu lar no Amazonas- sim, lá tem floresta. Sim, macacos também. Não, não na minha casa. Nem onças. Nem tartarugas. Só cachorros, gatos, etc. Não, não comemos cachorros, gatos, etc. Agora shhh, deixem-me continuar. Sei que eu, pobre caipira pindamonhangabense que sou, que fica impressionado com os prédio e os carro e os metrô, que acha passear pela rodoviaria do Tietê uma aventura e caminhar pela praça da Sé uma pequena expedição antropológica- sei que eu não tenho o direito de palpitar na cidade de vocês. Mas permitam-me fazer um pequeno pedido, uma pequena exortação, e voltarei quietinho para meu canto, comendo minha tigelinha de miojo e estudando o livro de Daniel.
Sei que muitos de vocês querem votar na Marta Suplicy, e sei que vocês tem bons motivos para fazê-lo. Ela é loira, bonitona num panela véia kinda way, tem aqueles oclinhos Sarah Palin e mãozinhas manicuradas. Ela era sexóloga, e portanto tem o treinamento necessário para compreender e lidar (e ora convenhamos, simpatizar) com a população mais depravada do Brasil. O presidente apoia sua candidatura, e sei que vocês depravados gostam dele também. Enfim, são todos bons motivos; mas por favor, não votem nela. Porque? Por causa deste homem:

Isso mesmo, Marta Suplicy escolheu como vice Aldo Rebelo, o segundo político mais maluco do Brasil- o político realmente mais maluco do Brasil sendo, é claro, Geraldo Alckmin, o tucano que trabalhou desesperadamente para que Lula vencesse a última eleição presidencial. Sim, Aldo Rebelo, o homem que tem como sonho impor o português como a única língua usada publicamente no Brasil, o que acabaria por proibir vocês de usarem seu adorável patois paulistano. O homem que processou o Millôr por ter lhe chamado de idioleto, achando que estava sendo chamado de idiota. O homem que quer instituir o dia do Saci-pererê, visando substituir o famoso feriado americano, Martin Luther King day. O homem que proibiu que fossem instaladas catracas eletrônicas nos ônibus e bombas de auto-serviço em postos de gasolina, impedindo assim que cobradores de ônibus e atendentes da Shell pudessem fazer um trabalho mais adequado ao seu nível intelectual, como ensinar sociologia ou linguística nas universidades brasileiras, ou serem candidatos a vice-prefeito da cidade de São Paulo. Fixem seus pensamentos na pessoa de Aldo Rebelo.
Agora: Marta Suplicy aplicará todos os seus charmes femininos sobre o presidente Lula, que inevitavelmente sucumbirá e a nomeará como sucessora. Imaginem Marta Suplicy abandonando a prefeitura de São Paulo para concorrer á presidência. Imaginem Marta Suplicy vencendo quem quer que o PSDB lance como candidato (se conseguiram perder depois do mensalão, eles conseguem perder para qualquer candidato, sob qualquer circunstância). Agora imaginem Aldo Rebelo esfregando suas mãos entusiasticamente e tirando do bolso de trás seu caderninho de planos estúpidos. Imaginem Aldo Rebelo fazendo uni-duni-tê sobre suas anotações para decidir a qual projeto estapafúrdio ele sujeitará a cidade primeiro. É isso que vocês querem? Perguntem a si mesmos: se Marta Suplicy não estivesse concorrendo, se fosse Gilberto Kassab versus Aldo Rebelo, vocês votariam mesmo para trocar de prefeito?
Sei que o Gilberto Kassab é detestável, anti-carismático e etc. Eu não duvido, acredito em tudo o que dizem de ruim sobre ele. Aposto que ele é satanista, vegetariano, e secretamente zoófilo, também. Mas lembrem: um voto para Marta é, na realidade, um voto para Aldo Rebelo. Vocês estarão colocando o traseiro insano de Aldo Rebelo no trono de São Paulo. Pensem nisso, paulistanos.
Abraços cordiais,
João Lemos dos Santos
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Um posicionamento sobre a disputa presidencial americana
Se algum leitor aí estiver no cativeiro babilônico (do qual eu mesmo só retornei ano passado), faça seu dever para com a história, e ponha uma pentecostal na casa branca. É nosso destino manifesto denominacional!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
O Eleitor e as Duas Opções
É isto que traz alguma fraqueza ás muitas aspirações de extender o sufrágio; isto é, deixando de lado todas as questões abstratas de justiça, o problema da democracia atual não é a pequenez ou a grandeza numérica da constituência. O problema não está na quantidade de eleitores, mas na qualidade daquilo no qual eles estão votando. Duas alternativas lhes são apresentadas pelas casas poderosas e pela mais alta classe de políticos. Duas estradas são abertas aos eleitores; mas eles precisam escolher uma ou outra. O eleitorado não pode ter o que ele quiser; pode apenas escolher dentre as opções oferecidas. Para seguir o processo em sua prática, poderiamos colocá-lo desta maneira: As sufragetes (se podemos julgar pela frequência em que tocam sua campainha) desejam fazer algo com o senhor Asquith. Eu não faço idéia do que é. Digamos que (para os fins deste argumento) elas querem pintá-lo de verde. Suponhamos que é apenas por este simples motivo que elas estão sempre buscando audiências privadas com ele; é um propósito tão válido quanto qualquer outro que posso imaginar para tais encontros. Agora, é possível que o partido governista tome uma posição política ativa que pinte o senhor Asquith de verde; talvez o governo dê esta reforma uma posição eminente em sua agenda política. E então o partido que está na oposição assumiria uma outra posição; não a posição de deixar o sr. Asquith em paz (o que seria considerado perigosamente revolucionário), mas alguma outra alternativa, como pintá-lo de vermelho. E então ambos os partidos se jogariam sobre o povo, e ambos gritariam que seu apelo agora se dirigia ao César da Democracia. Uma atmosfera escura e dramática de crise surgiria de ambos os lados; flechas de sátira voariam, e espadas de eloquência cintilariam. Os verdes diriam que os que queriam pintar o sr. Asquith de vermelho são os socialistas e os libertinos, pois estes, se pudessem, pintariam a cidade inteira de vermelho. Socialistas responderiam, indignados, que o socialismo é o contrário da libertinagem, e que eles buscavam pintar o sr. Asquith de vermelho apenas para que ele pudesse se parecer com uma caixa de correio vermelha, que tipifica o controle estatal. Os verdes, por sua vez, negariam veementemente a acusação tão frequentemente levantada contra eles pelos vermelhos; eles negariam que buscavam pintar o sr. Asquith de verde para que ele ficasse invisível nos assentos verdes da Câmara dos Comuns, do modo como alguns animais assustados se camuflam com seu ambiente.
Talvez haveriam lutas nas ruas, e uma proliferação de faixas, bandeiras e botões, de ambas as cores. Uma multidão cantaria, "Keep the Red Flag Flying", e a outra, "The Wearing of the Green"*. Mas quando o ultimo esforço for feito, e quando o momento final chegar, quando duas multidões aguardarem no escuro, do lado de fora de um prédio público para ouvir o resultado da eleição, então ambos os lados diriam que naquela hora a democracia fez exatamente o que queria. Mas isto talvez não seria a verdade. Talvez a própria nação, levantando sua cabeça em terrível solidão e liberdade, gostaria realmente que o sr. Asquith fosse pintado de azul pálido. A democracia verdadeira do país, se lhe fosse permitida criar um plano político por si só, talvez desejasse o sr. Asquith preto com bolinhas rosas. Talvez a população teria desejado mantê-lo como ele está agora. Mas um enorme aparato de riqueza, poder, e publicações impossibilitou a chance de surgirem quaisquer outras propostas, mesmo se a população realmente as preferisse. Nenhum candidato irá apoiar a proposta de pintar o sr. Asquith de bolinhas; pois candidatos geralmente precisam tirar dinheiro para concorrer de seus próprios bolsos, ou dos cofres do partido, e no partido as bolinhas não são a moda. Nenhum homem em posição política irá se comprometer com a teoria do sr. Asquith azul pálido; e portanto ela nunca poderá ser uma proposta do governo, e portanto nunca ocorrerá.
Quase todos os grandes jornais, tanto os pomposos quanto os frívolos, declararão dogmaticamente dia após dia, até que mais ou menos todos creiam, que vermelho e verde são as únicas duas cores na caixa de tintas. "O Observador" dirá: "Ninguém que conhece a sólida estrutura política, e enfáticos primeiros princípios, de um povo imperial pode imaginar por uma segundo que há qualquer meio termo nesta questão; precisamos cumprir nosso destino manifesto racial e coroar o edifício dos séculos com a augusta figura de um premier verde, ou precisamos abandonar nosso legado, quebrar nossas promessas ao império, lançar-nos á anarquia final, e permitir que a demoníaca e flamejante figura de um premier vermelho paire sobre nossa dissolução e nossa perdição." O "Correio Diário" diria: "Não há ponto intermediário nesta discussão; a escolha precisa ser verde ou vermelho. Desejamos ver todo cidadão honesto trajando uma cor a outra." E então algum engraçadinho iria começar com os trocadilhos, dizendo que o "Correio Diário" quer que seus leitores sejam verdes apenas para que seus lucros não caiam no vermelho**. Mas ninguém ousaria sussurrar que existe tal cor como o amarelo.
Pelos motivos de pura lógica, é mais fácil argumentar com exemplos bobos do que com exemplos sensíveis; isto é porque exemplos bobos são simples. Mas eu poderia citar casos graves e concretos do tipo de coisa a qual me refiro. Ao final da Guerra Boer, ambos os partidos insistiam perpetuamente em todo panfleto e discurso que a anexação da África do Sul era inevitável, e que era apenas uma questão de qual partido iria oficiar o processo. Mas a anexação não era nem um pouco inevitável; seria perfeitamente fácil fazer as pazes com os Boers, tal como é comum que nações cristãs façam as pazes com seus inimigos. Pessoalmente, creio que seria muito melhor se nós nunca tivessemos feito a anexação; até por motivos puramente egoístas, teria sido melhor para nosso prestígio e para nossos bolsos. Isto é apenas uma questão de opinião. Mas o óbvio é que a anexação não foi inevitável. Esta não era, como foi dito, a única alternativa; haviam várias outras alternativas. Haviam várias outras cores de tinta. Novamente, na discussão sobre o socialismo, é repetidamente esfregada na mente pública a afirmação de que precisamos escolher entre o socialismo e uma coisa horrível que eles chamam de individualismo. Eu não sei o que esta alternativa significa, mas parece dizer que todo aquele com a sorte de ter alguma riqueza deve adotar a filosofia do egoísta, e proclamar o quão bom ele é por servir a si mesmo.
As pessoas calmamente assumem que únicos tipos de sociedade possível são a sociedade coletivista e a sociedade presente, a sociedade de nosso tempo que é mais ou menos como uma pilha viva de adubo. Nem preciso dizer que eu preferiria o socialismo ao presente estado da sociedade; eu preferiria até a anarquia ao presente estado da sociedade. Mas simplesmente não é verdadeiro dizer que o coletivismo é o único outro esquema possível que poderia trazer uma ordem mais igual. Um coletivista tem o perfeito direito de pensar que o coletivismo é o único esquema coerente; mas ele não pode afirmar que é o único esquema plausível ou possível. Poderiamos ter a propriedade nas mãos dos pequenos agricultores; poderiamos ter o compromisso de Henry George; poderiamos ter um número de pequenas comunas; poderiamos ter cooperação; poderiamos ter comunismo anárquico; poderiamos ter uma centena de coisas. Não estou dizendo que qualquer uma destas direções é a correta, embora eu não consiga imaginar que qualquer uma delas poderia ser pior do que a sociedade-manicômio presente, com seus ricos opulentos e pobres torturados; mas eu digo que o fato de que a mente cívica não está, num sentido amplo, cônscia destas possibilidades é uma prova viva de quão rígidas e estreitas são as alternativas oferecidas á sociedade. A mente da sociedade não é livre ou desperta o suficiente para perceber o quanto ela tem o mundo inteiro na sua frente. Existem pelo menos dez soluções para os problemas da educação hoje, e ninguém sabe qual delas o povo realmente quer, porque ao povo só é permitido escolher entre as duas opções oferecidas pelo governo e pela oposição. Existem dez soluções ao problema da bebida, e ninguém sabe o que nossa democracia deseja; pois só se permite que a democracia enfrente uma lei de licenciamento de cada vez.
Então é esta a situação: o povo tem o direito de responder perguntas, mas não tem o direito de fazê-las. Ainda é apenas a aristocracia política que faz as perguntas. E não seria irracionalmente cínico de nossa parte imaginar que a aristocracia sempre será muito cuidadosa com as questões que ela levanta. E se o perigoso conforto e auto-congratulação da Inglaterra moderna continuarem por muito mais tempo, haverá menos valor democrático numa eleição inglesa do que numa Saturnália dos escravos romanos. Pois a classe poderosa irá sempre escolher dois planos de curso, ambas seguras para si mesma, e dará ao povo a gratificação de escolher uma opção ou a outra. O senhor de escravos tomará duas alternativas tão parecidas que ele mesmo não se importaria em escolher entre elas com os olhos vedados; e então, para se entreter, permitirá que seus escravos escolham entre elas.
-- G.K. Chesterton, A Miscellany of Men
* Pensei em colocar títulos de músicas brasileiras que evocam as duas cores, mas deixa pra lá.
** Não consegui traduzir o trocadilho original ("The Daily Mail wants its readers to be green, but its paper to be read"), então inventei outro.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Voto Nulo
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
E mais um post político
O que Lewis está dizendo é justamente que uma "autoridade legitimamente exercida em nome de Deus" é quase uma impossibilidade. Em todo lugar em que já foi praticada ela resultou em perseguições e expulsões, exílios e torturas. Em todo lugar em que ela já existiu- até mesmo no trono de São Pedro- homens corruptos e famigerados de poder tomaram as rédeas desta autoridade e a usaram para seus próprios fins. Até em Israel os filhos de Eli se aproveitaram da autoridade de seu pai para roubar e dessacrar o altar de Deus, a ponto do povo clamar por aquela mais estranha e gentia das instituições. O povo, cansado de uma teocracia roubada pelos homens, implorou por um rei. E Deus, para ensinar-lhes uma lição em realpolitik, lhes deu Saul.
Está certo que esta sociedade nem merece ser governada diretamente por Deus- ora raios, nem os filhos de Deus merecem ser governados por Deus, injustos como somos. Mas o que Lewis diz, e eu concordo, é que nenhum grupo humano que existe hoje, nenhuma instituição atual, nenhuma igreja ou organização, ou coterie ou clã ou governo, merece o poder incontestável de uma teocracia. Ninguém tem a ficha tão limpa e um histórico tão honesto a ponto de assumir o status de governante político oficial em nome de Deus. O estado laico/liberal é horroroso, certo, mas ainda não é pior que um super-estado governado por manipuladores e zelotes, seja ele uma ditadura da igreja ou do proletariado.
E aqui está a diferença- e posso estar enganado, corrija-me se estou- entre nós. Você parece dizer, "A situação atual é atroz, tudo se corrigiria com o Regnum Christi na vida de todos; e as coisas seriam pelo menos melhores com um governo tipo monarquico/feudal. Do jeito que as coisas estão, voto nenhum faz diferença; vote nulo, tks." Eu digo, "A situação atual é atroz, tudo se corrigiria com o Regnum Christi na vida de todos; porém, a mera hipótese de uma monarquia ou governo religioso me dá calafrios; por isso, preciso ter alguma medida de fé na democracia, porque não vejo outra solução política; por isto voto, mesmo sabendo que há 90% de chance do patife no qual estou votando ser pior do que o patife que já ocupa o cargo." Você diz que nossa democracia é uma piada, e portanto tem alguma medida de fé numa alternativa futura; eu acho que as alternativas futuras propostas até agora são um carnaval de horrores, e por isso preciso ter alguma fé, por mais fraca que seja, na democracia atual. Não é que um é crédulo e o outro é cético; é que cada um desconfia daquilo no qual o outro é forçado pelas circunstâncias a confiar.
E já que você falou meio esnobemente do Lewis- e como sou um anão derivativo e copiador- vou apelar:
O ponto fraco do argumento que Carlyle faz em favor da aristocracia reside em sua frase mais celebrada. Carlyle disse que os homens são, em sua maioria, tolos. O cristianismo, com um realismo mais seguro e reverente, diz que todos os homens são tolos. Esta doutrina é ás vezes chamada da doutrina do pecado original. Ela também pode ser descrita como a doutrina da igualdade universal dos homens. O ponto essencial é este: qualquer perigo moral primário e abrangente que pode afetar um homem pode, de fato, afetar qualquer homem. Qualquer homem pode ser um criminoso, se tentado; qualquer homem pode ser um herói, se inspirado. E esta doutrina lança fora a confiança patética de Carlyle (e a confiança patética de qualquer outra pessoa) num grupo de "poucos homens sábios". Não existe um grupo de poucos homens sábios em poder. Toda aristocracia que já existiu se comportou, em todos os pontos essenciais, exatamente como uma pequena turba. Toda oligarquia é meramente um bando de homens na rua - isto é, uma coisa muito jovial, mas nunca infalível.
-- G. K. Chesterton, Heretics.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Um tipo de intoxicação
Sou um democrata porque creio que nenhum homem ou grupo de homens é bom o suficiente para ser confiado com poder descontrolado sobre outros. E quanto mais elevadas as pretensões de tal poder, mais perigosa a situação, tanto para os governantes quanto para seus sujeitos. Eis por que a teocracia é a pior forma de governo. Se um tirano for inescapável, é melhor que seja um plutocrata corrupto que um inquisitor. A crueldade do plutocrata pode ocasionalmente adormecer, sua cupidez pode em algum ponto ser saciada; e como ele sabe, mesmo que imperfeitamente, que aquilo que faz é errado, ele pode talvez se arrepender. Mas o inquisitor que confunde seu próprio medo, crueldade e paixão por poder com a voz de Deus irá nos atormentar infinitamente, pois ele nos atormenta com a plena aprovação de sua consciência, e considera seus melhores impulsos como tentações. E como a teocracia é o pior dos governos, quanto mais qualquer governo se aproxima da teocracia, pior ele será. Uma metafísica defendida por governantes com a força de uma religião é um mau sinal. Ela os proibirá, tal como ocorre com o inquisitor, de admitir qualquer grão de verdade ou bem em seus oponentes, abrogará as normas morais comuns, e sancionará como elevadas e supra-pessoais todas as paixões ordinárias às quais os governantes, como quaisquer outros homens, estarão sujeitos. Resumindo, esta condição proíbe dúvidas sãs. Na realidade, nenhum programa político pode alcançar mais que alguma probabilidade de estar correto; nunca conhecemos todos os fatos do presente, e podemos apenas adivinhar o futuro. Dar ao programa de um partido- que será, no máximo, razoavelmente prudente - o tipo de assentimento que deveriamos reservar apenas para teoremas demonstráveis é um tipo de intoxicação.
-- C.S. Lewis, A Reply to Professor Haldane
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Começo aqui
Para ser bem longo, vou abordar o tema de dois pontos de vista: O filosófico e o histórico. Peço-vos boa vontade. Anos de política idiota, perversa e demente fizeram do Brasil um lugar lotado de ignorantes esperançosos seduzíveis e cínicos “esclarecidos”. Uma visão positiva, isenta e comprometida com o acréscimo de conhecimento da verdade é hoje em dia algo muito raro; é o que proponho, rogando a Deus que me ajude a conseguir expor o que por mim mesmo não poderia.
Começando pelo começo, vamos definir cristianismo como o conjunto de crenças e comportamentos que assume, ou deveria assumir, o sujeito que abraça a fé cristã. Esta definição tem sua utilidade para nosso propósito pois define o cristianismo pelo seu caráter social, independente da fé de cada indivíduo – que se omito não é por querer negar, é claro.
E vamos tomar como definição clássica de política que esta seja a maneira pela qual os homens convivem em sociedade e organizam esta convivência para o bem comum.
Entre duas realizações humanas (e aqui chamo a religião de realização num sentido diverso de criação, se é que você já não entendeu; a religião foi revelada por Deus, mas é praticada, também, pelo homem), inscritas no tempo, pode haver exclusão, coordenação ou subordinação.
Não me parece necessário explicar que entre a religião cristã e a vida política não há exclusão. O Cristianismo bíblico oferece as provas: Cristo diante de Pilatos disse que “Não terias nenhum poder sobre mim se este não te viesse do Alto”. Já São Paulo mandava na epístola aos romanos que fôssemos submissos às autoridades constituídas, pois nenhuma há que não tenha sido instituída por Deus. Disso tiramos uma certeza: Não há cristianismo anárquico.
Pode, portanto, haver coordenação ou subordinação entre a vida política e a cristã. Sabemos, também, que só pode haver coordenação de meios quando há igualdade de fins; e que a finalidade da vida cristã obter para as almas a boa vida eterna, enquanto a da vida política é obter para os indivíduos a boa vida terrena. Portanto, não se podem coordenar vida política e cristã, sendo necessário optar por um dos fins como superior (não ficando o outro desprezado) e portanto, um dos meios como ordenador, e o outro como subordinado.
Aqui poderíamos partir do princípio que, neste blog cristão, todos os leitores já fizeram a opção pela vida espiritual como mais importante que a corporal, mas não vamos. Primeiro porque não é tanto para convertidos que pregamos aqui, mas para aqueles que precisam se converter; e depois porque mesmo entre muitos cristãos prevalece a impressão de que as duas vidas não precisam superpor-se, convivendo lado a lado sem muita interação.
E isto é falso. Falso porque, como já visto, não há coordenação e paralelismo possível entre a vida política e a religiosa; e também porque pela própria natureza das duas atividades haverá, em toda a vida, ocasiões em que a política e a religião têm que ser praticadas simultaneamente.
Resta, então, a hipótese de que a vida religiosa deve ordenar e inspirar a vida política. Para isto, contribuem as seguintes analogias:
1) Em ambas há lei. Porém, a lei política na melhor das hipóteses será oriunda da lei natural, interpretada pelos homens à luz da virtude da justiça; enquanto a lei religiosa será dada por Deus, e portanto inacessível por si aos homens, sendo assim mais preciosa e digna de guarda.
2) Em ambas há hierarquia. Porém, a hierarquia política é técnica e funcional: O indivíduo e sua função se separam tanto quanto a sociedade não seja tirânica, e espere somente o exercício das funções administrativas, legisladoras e disciplinadoras dos ocupantes de cargos públicos, sem que com isso eles percam as atribuições de cidadão. Na hierarquia religiosa, no entanto, ocorre o contrário: Qualquer mudança é mudança de qualidade, e pega-se ao que o indivíduo tem de mais íntimo, sem que se creia possível desfazer esta mudança sem desfazer o próprio indivíduo. A hierarquia política, portanto, caracteriza-se por uma união circunstancial entre indivíduo e cargo; a hierarquia religiosa por uma unidade perenal entre alma e vocação.
3) Em ambas há convivência e troca de bens. No entanto, a vida política progride na medida em que os cidadãos fazem circular os bens materiais que garantem a segurança e o progresso da vida civil, enquanto na vida religiosa os bens que se trocam são oriundos de Deus, e por isso chamados dons. Mas uma diferença é essencial: Na cidade, aquele de quem muito se toma e a quem pouco se dá, por uma injustiça da sociedade, é o lado derrotado de uma sociedade competitiva; na Igreja, aquele que muito dá e pouco toma é o vencedor, ou mais que isso, pois é um vencedor que não deixa vencidos. Por isso se vê que a frutificação dos bens é mais eficiente no solo de Deus que no solo dos homens.
Com isso temos como patente que a política deve se pautar pela religião, e esta deve ser o princípio ordenador da política.
E isso nos traz uma questão atual: Como fazer boa política, isto é, política subordinada ao cristianismo, num sistema que já recebemos defeituoso, para usar uma palavra suave?
Confesso que não sei bem. O que tenho como certo é que, na impossibilidade de agir bem, deve-se no mínimo tentar não agir mal. Por isso, o mais recomendado para os cristãos me parece ser, neste momento, começar a pensar em votar nulo.
(continua)
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Eu acho que concordamos
A propósito do último post escrito pelo João, digo o seguinte. O problema do brasileiro — para além do fato de ele simplesmente ser brasileiro, e não inglês, por exemplo — é depositar todas as esperanças nas “autoridades”. Para todos os problemas que existem no mundo, o brasileiro espera uma “providência das autoridades”. Para acabar com a obesidade, ele espera do governo uma campanha contra as lanchonetes e uma outra contra os hambúrgueres; para acabar com o câncer de pulmão, uma campanha federal contra o cigarro e outra contra os comerciais de cowboys fumantes; para acabar com acidentes causados por motoristas embriagados, campanhas nacionais contra o álcool e ressalvas de moderação em cada propaganda; contra a violência, esperneiam pela atuação, mais uma vez, dela, a “autoridade competente” — a polícia, a parte uniformizada do crime organizado, só que sem organização; e o mesmo com o que se passa na TV, com a educação, e com tudo o mais. E quando nossos políticos finalmente aparecem com aqueles brilhantes projetos de lei, proibindo isso ou aquilo, o brasileiro, que tanto exigiu as tais medidas e etc., faz bico. De qualquer forma, e para todos os efeitos, deixo claro que, embora eu mesmo não tenha a mínima intenção de fazer algo a fim de mudar o que quer que seja (além de sentar-me diante de meu computador, escrever um texto entre indignado e melancólico, e publicá-lo em meu blog sem leitores), deixo claro que essa história de só ficar pelos cantos, reivindicando a ação dos governos, não pode acabar bem. É que cedo ou tarde os governos agem — para prejuízo nosso. Mas eu nunca sei do que falo. Ignorem-me.
Lei Seca
* Qual é minha opinião sobre a lei seca? Bem, sobre a lei seca só posso dizer, com a complacência maligna de um crente que não tem costume de beber, e tem sua vida social em nada afetada pela lei, exceto a probabilidade reduzida de ser atropelado numa esquina: Hahahahahaha.
* Bombom de licor. Já ouvi quatro pessoas reclamando que agora não poderão mais comer bombom de licor antes de dirigir. Minha pergunta é: de onde surgiu este repentino e insaciável apetite por bombons de licor? Antes desta lei passar vocês entupiam a boca de bombons? Entravam na doceria e pediam um para a viagem? Comiam fora e, para a sobremesa, pediam para ver o cardápio de bombons? Pode ser falta de observação minha, mas eu nunca tinha notado a importância do bombom de licor na experiência gastronômica- aliás, na vida alegre e normal- do brasileiro.
* A lei não é um exemplo de socialismo brasileiro, de comunismo, de qualquer coisa do gênero. Se você não achava "socialismo tupiniquim" o fato de existirem leis proibindo a direção com certa porcentagem de alcool no organismo, não pode pular agora e dizer que é sinal do comunismo. Se a sociedade pode proibir que um homem dirija após tomar uma garrafa inteira de whiskey, ela pode proibir que um homem dirija após beber um dedal de cerveja. Se você já concedeu ao governo o poder de dizer quanto um homem pode beber antes de dirigir, não vale reclamar agora quando o governo diz "Nada." E parem de falar como se a lei violasse seus direitos humanos. Dirigir uma máquina de metal que pode esmagar pessoas a 150 km por hora não é um direito humano inalienável, é um privilégio que precisa ser exercido com cuidado.
* Digo tudo isto, é claro, com a serenidade cruel de quem não sai para beber, mas já esteve em acidentes onde o outro motorista estava tropeçando de bêbado. É horrível concordar com o governo, mas ás vezes é inevitável.
domingo, 20 de julho de 2008
Satiagraha
(Satiagraha. Ou é Satyagraha? Eu achava que era com y, mas as pessoas tem mania de inserir ipsilones em lugares errados. Lembra do Luys? Que devia ser Luís como uma pessoa feliz e normal, mas teve seu destino selado no cartório por seus pais cruéis? Pois é. Satiagraha. É em sânscrito ou em tupi? Acho que sânscrito. Engraçado como quando eu era criança, os professores e os livros de mitologia viviam dizendo que os romanos roubaram seus deuses dos gregos, que Júpiter era uma cópia de Zeus, que Vênus era uma Afrodite paraguaia, quando na realidade ambos vieram de Dyaos-Piter, o deus do céu de qualquer que seja a região da Índia onde ele era adorado. Os gregos pegaram o Dyaos e fizeram em Zeus. Os romanos pegaram o nome inteiro- Júpiter. Não foi uma questão de um roubar de outro; ambos roubaram dos indianos.)
(Naji Nahas = nome perfeito para super-vilão. Ele poderia ser um caudilho oriental, trajando um kimono de seda e uma coroa de jade, e dez anéis nos dedos- ah, dez anéis, vai ser uma cópia vagabunda do Mandarin. Mas o Mandarin já é uma cópia sem vergonha do Fu Manchu, não? Não, já sei. Naji Nahas vai ser um rajah indiano, magro e alto e barbudo, e vai ter o poder de controlar cobras- de controlar najas, haha, e vai ter duas najas principais, Nag e Nagaina, numa alusão óbvia e homenagem a Rikki Tikki Tavi. Naji Nahas, Senhor de Satiagraha. Aliás, o que significa Satiagraha?)
(Eu deveria ter prestado atenção ao começo da conversa, ela já está terminando de explicar a situação toda. Daniel Dantas é o maior corrupto do Brasil? Opa, maior corruptor do Brasil? Meu Deus, um corruptor. Sempre ouvi falar de políticos corruptos, mas achava que eles tinham se corrompido sozinhos, que a palavra denotava apenas uma podridão política e moral, não um estado passivo que resultou em sua corrupção por um corruptor. O que acontece? O político está voltando para casa sozinho, tarde da noite, quando uma figura escura surge de um beco vazio segurando uma pasta de couro e um contrato de venda de alma? Ou quem sabe o corruptor é como um galanteador, leva os deputados para jantar em restaurantes caros, tenta colocar sua mão sobre a mão deles e sussurra em seus ouvidos, com o calor e a urgência de um namorado, cifras proibidas e riscos mínimos. Vamos, ninguém precisa saber. Você sabe que quer isto tanto quanto eu...)
(Ah, tem a ver com o mensalão? Não, com telecomunicações. Lavagem de dinheiro? Agora eles também não sabem, ha ha. Está na hora de eu dizer algo para que meu silêncio não fique conspícuo.)
"Eu também não faço idéia, mas você sabe; conhecendo esse povo, pode ser tudo isto e mais ainda. Aliás, o que vocês vão fazer essa semana?"
(Droga, não funcionou, eles ainda querem falar sobre isso. Sou o único nessa faculdade que não entende do que se trata essa situação toda? Acho que vou procurar na wikipédia mais tarde. Eu deveria ter acompanhado no jornal. Eu sei que o Duanne diria isto. Ele diria "Ah ha, eu não disse que o jornal era importante?" E eu não tenho desculpa. O jornal chega de manhã todo dia em casa, custaria nada ler algo durante o café da manhã. Mas eu não tomo café da manhã. Aliás, o que estou dizendo, estamos tomando café da manhã agora. Não tomo café da manhã em casa. Mas não tem tempo, e nunca tem nada pronto pra comer. E quando tem, é torrada. Um homem não pode começar seu dia com apenas uma fatia de torrada. Melhor só comer no almoço mesmo, ou comer um salgadinho na faculdade. Lá se vai meu salário, perdido numa sequência infinita de cafés com leite e coxinhas.)
(Caféééé com leite, o néctar dos deuses. Eu nunca faço café com leite em casa, mas por algum motivo café com leite se torna irresistível para mim quando estou fora. E se um dia eu fizer café usando leite ao invés de água? Eu teria que lavar a máquina depois, pra ela não feder a leite azedo, mas seria interessante. Não, alguém já deve ter tentado isto antes, e se eu nunca ouvi falar, é porque não foi uma boa idéia. Além do mais, a máquina ficaria toda grudenta, e entraria leite em alguma parte impossível de limpar. Isso sempre acontece comigo. E quem estou enganando, eu nem tentaria limpar aquela bagunça. Eu nem tiro o filtro quando termino de fazer café.)
"E você tá sorrindo porque?"
(Pense rápido.)
"Eu? Ah, é porque eu sei que com essa impunidade que tem no Brasil, nada de concreto vai vir dessa situação toda. É por isto que nem prefiro discutir esse assunto, chega a me deprimir, ás vezes."
"Ah, pois é. Mas será possível que é assim toda vez?"
"Talvez."
(É sempre assim.)
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Parágrafo no qual eu explico minha completa descrença num futuro melhor
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Os terroristas mais burros do mundo

Militares colombianos se disfarçam para ganharem a confiança dos terroristas da FARC.