Uma vez estava numa reunião de jovens em uma igreja e o assunto debatido era o homossexualismo. Um dos jovens presentes naquela reunião apontou que, nos últimos tempos, muitas pessoas tem desviado seus caminhos daquilo que Deus nos propôs por causa da falta de temor a Deus. O que eu entendi é que este temor foi no sentido de que "Sim, Deus é o criador todo poderoso, capaz de dar e tirar a vida, e ele não aprova alguns comportamentos que estão se popularizando ultimamente". Não tenho certeza se foi realmente isto que a pessoa quis dizer, mas esta declaração ficou na minha mente...
Fico me perguntando, será que falta temor a Deus ou amor a Deus? Vou tentar dar um exemplo: eu amo minha mulher e se ela me diz que é melhor eu não jogar a toalha molhada em cima da cama eu vou tentar seguir esta regra o máximo que eu puder, pois eu não quero fazer ela triste, nem aborrecê-la. Ela prefere que a toalha não fique em cima da cama porque isso vai acabar estragando o colchão e no final das contas ela vai ter que ir lá e fazer o que eu devia ter feito inicialmente, então eu evito quebrar a regra.
De certa forma, eu tenho receio da reação dela diante da minha falta de obediência, mas isto só ocorre porque eu me preocupo com ela e me importo com seus sentimentos. Eu a amo! Vou me esforçar para não gerar conflitos desnecessários e porque eu entendo os motivos e sentimentos dela com relação a este comportamento.
Do meu ponto de vista, esta é uma forma de temor, e é o temor que me faz não jogar a toalha em cima da cama. Mas este temor é um simples fruto do amor que eu sinto pela minha esposa. Não fosse o peso do amor, eu não daria a mínima pra esta regra que eu poderia muito bem julgar como estúpida e idiota.
Acredito que o mesmo deva ser verdadeiro em nosso relacionamento com Deus. Se o nosso temor é fruto apenas do receio de sermos jogados no inferno, então algo está errado!
Deus não nos mostrou certos caminhos por simples arbitrariedade! Eu não acredito que Deus seja arbitrário. Ele sabe o que é melhor pra gente. Deus não nos mostrou certos caminhos porque Ele precisa disto. Ele o fez para que pudessemos viver melhor, viver bem. Ele fez isto porque ele nos ama, e a melhor maneira de retribuirmos este amor é amando de volta, demonstrar o nosso amor através de ações que correspondam aos caminhos que Ele nos mostrou.
O temor aqui deve ser o de desagradar a Deus, não porque ao contrário ele vai nos jogar no inferno, mas porque Ele foi capaz de dar tudo por nós, seu único filho, e embora nós não sejamos capazes de igualar tamanho sacrifício, o mínimo que podemos fazer é corresponder a este amor com a nossa obediência. Ele aceita isto!
Nada disso faz sentido algum se a pessoa em questão não experimentou deste amor, se ela não entende a grandiosidade do sacrifício de Cristo na cruz. Como esperar que as pessoas tenham o temor que realmente importa? O temor que leva à salvação? Além disso, nós como igreja, o que estamos fazendo enquanto braços e pernas do corpo de Cristo para alcançar estas pessoas e demonstrar amor através de nossas ações?
Deus é amor e o amor dEle se materializa nas nossas ações uns para com os outros. O que temos feito com relação ao próximo? Como temos tratado as pessoas? A gente pode dizer muita coisa, a gente pode até espalhar outdoors defendendo a preservação da espécie humana. Nada disso vai falar mais alto que as nossas ações e atitudes com relação às pessoas. Que as nossas ações possam demonstrar o amor de Deus, o amor que faz valer a pena converter caminhos e idéias por um ideal maior.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Num condomínio
Acabo de mandar sair daqui
dois pobres. A mulher grávida, quase
parindo, e o marido eu nem vi
direito. Os retratos do atraso
desta nação. Graças a Deus subi
ao meu apartamento, este palazzo,
inteiro e vivo. Talvez fosse o caso
de dar algum a eles… Mas mereci
tudo que tenho! E agora, dissipar
meu patrimônio, construído em cima
do meu trabalho, entre os vagabundos?
Não, é só minha esta vista do mar.
É uma vergonha que ninguém reprima.
Cadê o governo? Não tem jeito este mundo.
Acabam de sair daqui três caras
que queriam saber onde encontrar
um tal de “Rei Nascido”. Olha, repara
muito bem, se eu me deixo enrolar.
Eu sei que só queriam me roubar.
Um rei recém nascido? É muita cara
de pau. Ainda por cima, tinham para
o tal rei ouro, incenso, e o quê? Ah,
sim, mirra. O que é mirra? Que conversa.
Disse pra eles: “Vão, vão procurar,
venham logo depois me dizer onde
ele está, quero honrá-lo, tenho pressa!”
Se for mesmo um bebê, melhor matar
agora, antes que cresça e entre no bonde.
Um anjo acaba de sair daqui.
Anunciava uma grande alegria
que era para todo o povo. Xi,
eu não gosto de povo. Dá azia
até lembrar do povo. Uma vez vi
uma velha sem dentes, na Bahia,
toda alegrona. Aê, Jesus. Podia
vir alegrar a mim, que sei que oui
é como os franceses dizem sim,
que tenho plano de saúde e moro
num condomínio ao nível da minha classe.
Mas um anjo pro povo, e com latim -
Gloria in excelsis Deo - incenso, ouro
e mirra! Não sei bem pra quê, mas passo.
Olha só quem chegou: Papai Noel!
Pela janela, pois a chaminé
ainda não ficou pronta. Olha o céu
como está estrelado! Quanta fé
nos une neste mesa! Ah, o meu
presente é uma beleza! O teu é
também! A ceia está servida. Quer
peito ou coxa? Ano que vem, eu
pretendo tantas coisas. Uma delas
é ser mais generoso. Não que agora
eu me sinta egoísta, estou bem, mas
nunca é demais, né? Acende aí as velas.
Menino, para de comer! Não ora
antes da ceia? É assim que se faz!
dois pobres. A mulher grávida, quase
parindo, e o marido eu nem vi
direito. Os retratos do atraso
desta nação. Graças a Deus subi
ao meu apartamento, este palazzo,
inteiro e vivo. Talvez fosse o caso
de dar algum a eles… Mas mereci
tudo que tenho! E agora, dissipar
meu patrimônio, construído em cima
do meu trabalho, entre os vagabundos?
Não, é só minha esta vista do mar.
É uma vergonha que ninguém reprima.
Cadê o governo? Não tem jeito este mundo.
*
Acabam de sair daqui três caras
que queriam saber onde encontrar
um tal de “Rei Nascido”. Olha, repara
muito bem, se eu me deixo enrolar.
Eu sei que só queriam me roubar.
Um rei recém nascido? É muita cara
de pau. Ainda por cima, tinham para
o tal rei ouro, incenso, e o quê? Ah,
sim, mirra. O que é mirra? Que conversa.
Disse pra eles: “Vão, vão procurar,
venham logo depois me dizer onde
ele está, quero honrá-lo, tenho pressa!”
Se for mesmo um bebê, melhor matar
agora, antes que cresça e entre no bonde.
*
Um anjo acaba de sair daqui.
Anunciava uma grande alegria
que era para todo o povo. Xi,
eu não gosto de povo. Dá azia
até lembrar do povo. Uma vez vi
uma velha sem dentes, na Bahia,
toda alegrona. Aê, Jesus. Podia
vir alegrar a mim, que sei que oui
é como os franceses dizem sim,
que tenho plano de saúde e moro
num condomínio ao nível da minha classe.
Mas um anjo pro povo, e com latim -
Gloria in excelsis Deo - incenso, ouro
e mirra! Não sei bem pra quê, mas passo.
*
Olha só quem chegou: Papai Noel!
Pela janela, pois a chaminé
ainda não ficou pronta. Olha o céu
como está estrelado! Quanta fé
nos une neste mesa! Ah, o meu
presente é uma beleza! O teu é
também! A ceia está servida. Quer
peito ou coxa? Ano que vem, eu
pretendo tantas coisas. Uma delas
é ser mais generoso. Não que agora
eu me sinta egoísta, estou bem, mas
nunca é demais, né? Acende aí as velas.
Menino, para de comer! Não ora
antes da ceia? É assim que se faz!
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Quando eu era adolescente, gostava de ir a um shopping próximo da escola e ficar no café, onde normalmente eu pedia um café simples que vinha com um par de biscoitos amanteigados. Eu ficava lá, sentado, escrevendo e desenhando, observando as pessoas que vão ao shopping fazer o que quer que as pessoas façam no shopping - provavelmente as mesmas coisas que eu faço, hoje que não há mais o café nem os biscoitos amanteigados naquele canto onde, se eu fumasse naquela época em que eu não me lembro de ser proibido fumar no shopping, eu comporia uma imagem demasiado cliché, exceto pelos meus 16 anos, inaparentes na minha altura e barba da época. Fui bem alimentado durante a infância e tenho a barba de muito boa qualidade, sempre tive, desde que ela começou a nascer, já uniforme e progressivamente enchendo o rosto até atingir o seu apogeu, que se mantém até hoje. Mas enfim, eu ia ao shopping, bebia café e isso provavelmente tinha seu charme, ou pelo menos o momento e lugar seriam bem apropriados para eu fazer o famoso sucesso entre as mulheres, o que de fato eu fazia, pois era mais divertido que apenas sentar e beber café. Uma vez uma moça aparentemente 5 anos mais velha que eu parou em frente ao balcão, e ficou ali fingindo não saber o que queria, porque na verdade ela estava obviamente interessada em mim, o que os fatos posteriormente comprovaram - acompanha. Ela estava lá, toda cheia de dúvida, e eu disse "não sabe o quer? prova isso" e ela pegou a minha xícara sem hesitar, provou e pediu o mesmo que eu pra moça do balcão, esta feinha que doía e muito antipática. Era café, e quando veio café simples ela disse que não, que estava errado, porque o meu era completamente diferente, etc e eu disse para ela sentar na mesa, peguei os biscoitinhos que vinham junto com o café e joguei dentro da xicara e perguntei se ela estava com a mão limpa. Ela disse que sim, então eu esperei dois minutos e a fiz misturar tudo com o dedo, o que ela achou ainda mais nojento que jogar biscoitos no café, mas por algum motivo fez tão direitinho quanto um adolescente com bastante habilidade, e chupou o dedo melhor do que eu o teria feito, não fosse um cavaleiro e soubesse onde aquele dedo havia estado antes de totalmente cercado de café e biscoitinhos amanteigados derretidos. Acontece que biscoitos amanteigados = açúcar + gordura + amido, quero dizer, o efeito dos biscoitos no café era o mesmo de adicionar creme, adoçá-lo um pouco mais e tornar o conjunto todo mais espesso, por causa do amido; se duvidar, pegue uma embalagem destas de sopa instantânea, e está lá o amido, o ingrediente mágico que transforma um caldo de temperos vagos em um grosso e confortável creme. O amido é o melhor amigo do fabricante de comida. O fato é que o café dela ficou idêntico ao meu, porque é isso mesmo que eu fazia, jogar os biscoitos dentro e mexer com os dedos de uma moça bonita ou com uma colher, na falta de moça bonita. Ela ficou lá, sentada ao meu lado, bebendo o café cremoso mais estranho da vida dela até então e, na falta de pão de queijo, me comendo com os olhos. Depois de uns 10 minutos, pegou uma caneta na bolsa, anotou o telefone no meu caderno, levantou e foi embora.
domingo, 11 de outubro de 2009
Eixo do mal
João Santos: me diga
porque é que em todo filme onde tem uma rainha mãe
ela age tão incestuosamente com os filhos?
esfregando os rostos deles em público, segurando a mão deles enquanto sentada no trono
olhando invejosamente pras suas pretendentes
não é possível que toda rainha agia tão freudeanamente em realidade
Igor Barbosa: Le reine Margot em mente?
João: sim, mas nesse caso agora o Joana D'Arc
mas põe nisso também toda -toda- adaptação de Hamlet que você já viu
inclusive aquela com a Glenn Close e o Mel Gibson, que interpretam mãe e filho
mas tem QUASE A MESMA IDADE.
Igor: hehehe
Glenn Close: Morre?
João: well, por mais feminista e maricas que o teatro moderno seja
precisaria ser MUITO pra ter um Hamlet onde Gertrude não morre no final, hehe
Igor: não, digo morre em carioquês
as in, pega-se?
cata-se?
dá-se uma pressão?
João: assim, ela não come o Hamlet en scene
mas há toda uma tensão oedipal lá, isso há
Igor: hehehe
claro
João: mas o Zefirelli é meio pervertido mesmo, então não sei se é culpa inteiramente do Shakespeare
Igor: mas diga você, hombre
que acha da véia? eu a acho pretty decent
João: a Glenn Close? Nos filmes velhos, sim
mas depois de ver ela como Cruella Deville
tentando fazer um casaco de dálmatas
não tenho mais tanta certeza
mas e a Milla Jovovich?
Igor: ah, eu não
dispensaria com gosto
muito magra, muito estranha, muito extraterrestre
João: gosto dela nesse filme
no mais recente dela, ela está muito suada e maníaca, matando zumbis
mas como Joana D'Arc ela está trés adorable.
Igor: lembro disso
mas é um péssimo filme, este Joana D´arc
me: ok, pode ser
Igor: a pouco tempo tivemos uma discussão no apostos, sobre o valor de beyoncé
João: meh
a Beyoncé eu dispensaria
Igor: foi o que disse
que ela não era um topping prize
João: mas talvez mais porque a música dela me irrita
e por associação, o próprio som da voz dela
outras cantoras nesta categoria: Lady Gaga, Christina Aguilera
Igor: don´t say the name
don´t say THE NAME
Lady Gaga é hermafrodita, entonces ok.
eu só temi que vc incluísse Britney no eixo do mal
João: mas veja, a Britney (embora também seja irritante) contribuiu com coisas não-ruins ao mundo
por mais que você odeie, não há como negar que Baby, One More Time e Toxic são músicas divertidas
pode chamar de derivativas, de artisticamente nulas, de estéreis, do que quiser
mas são divertidas.
Igor: Toxic nem é ruim
é uma boa música
toque uma música no piano para saber se é boa
João: aí está: meu padrão de bom ou ruim não é qualquer critério objetivo
é divertido ou chato
Até um filme existencial e deprimente pode ser divertido
da mesma forma em que um filme de terror é divertido
você se submete temporariamente ao hipotético para experimentar vicariamente os terrores alheios
Assim como eu posso me juntar à Ripley para me perguntar que aliens estão escondidos no escuro
eu posso me juntar ao Ingmar Berman para perguntar que Deus está escondido no escuro
mesmo já sabendo anteriormente a resposta das duas perguntas
Igor: filmes de terror não me hookeiam
mas até aí, filme nenhum me hookeia
e hombre, que fazes em casa num sábado à noite?
pq não saiu
para
(tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam)
B A D A L A R
?
João: hehehehe
preparando o projeto da dissertação
pra defender na qualificação e ser fuzilado por um esquadrão de doutores
o problema é que os autores que estou pesquisando- Dante e Lewis- são infinitamente maravilhosos
mas os teóricos que usarei para estudá-los são, well, chatos.
sim, Igor. Agora estou estudando aquela área que eu sempre zombei. Linguística Textual
no dia em que eu falar do Roland Barthes em termos de admiração e respeito, me dê um tiro na testa
e não enterre meu corpo em cemitério cristão
Igor: serei obrigado a isto, em honra de nossa amizade
por isso que eu sou um injenheiro sem diproma
João: hehehe
utilizando um bom e velho clichê dos filmes de zumbi
(que você, aparentemente, não gosta, seu chato que não gosta de filmes de horror)
"Se eu virar um deles, mate-me."
Igor: não gosto de filmes, em geral
João: rapaz, eu geralmente não tenho paciência de APENAS ver um filme. Então eu abro um joguinho no computador
ou converso no gtalk
enquanto assisto o filme simultaneamente
não sei porque, mas assim me sinto produtivo
se eu apenas assistir um filme, me sinto depois que perdi duas horas
mas se eu assistir um filme enquanto jogo tetris, bem, hoje eu consegui fazer duas tarefas no tempo de uma!
Igor: boa maneira de ser multitarefas
parece a minha
só bebo e fumo quando jogo e flerto
João: o que significa que o quarto do casal Barbosa
deve ter cheiro de tabaco e cerveja azeda
Igor: ah, não no quarto
mas a sala, sim
João: ou como vai a piada, um italiano diz ao outro
"Sabe quando é que eu gosto de fazer sexo?"
"Bem antes de acender um cigarro"
Igor: hehehehehe
poderiam ser gregos
rapaz, 64% dos homens gregos fumam
João: mas daí ficaria implícito que era sexo um com o outro
amor grego and all
engraçado como os títulos de reis
ás vezes não combinam com seus reinados
wikipedia dixit
"Charles VIII, called the Affable, French: l'Affable (30 June 1470 – 7 April 1498), was King of France from 1483 to his death."
"His invasion of Italy initiated the long series of Franco-Italian wars which characterized the first half of the 16th century."
seu título não pode ser "O afável" se sua maior fama é iniciar uma série de guerras continentais que marcaram um século.
Igor: hehe
eu não sou tão radical
ele podia ser gente boa na vida privada
João: pode ser
mas ás vezes a reputação política também é um indício de sua vida particular
é como diziam de Heródes, que era mais seguro ser seu porco que seu filho.
o que é insultoso de duas formas. Primeiro por deixar claro que ele matava seus filhos; e segundo por deixar implícito que ele comia porco. Mas que sua fome de porco ainda era menor que seus impulsos filicidas
Igor: considere isto
minha mulher deixou acabar o limão em casa
então tudo que eu tenho para misturar com cachaça e gelo é geléia de amora e de framboesa
e que por isso, em alguns minutos, estarei tomando uma CAIPIFRUTA
João: já vi beberem vodka com fanta uva
vodka com FANTA UVA
uma combinação que me parece bizarra como, sei lá
beber whiskey com ovomaltine
Igor: eu já bebi isso
na verdade, com conhaque
João: WHISKEY COM OVOMALTINE?
Igor: nescau, conhaque e coca-cola
João: hmph.
Igor: nescau com coca-cola é vaca preta
com conhaque, é vaca queimada
Igor: então, decidi provar a vaca salpicada. ficou ótimo
João: vaca preta não era coca cola com sorvete?
aqui no RJ, é com nescau
coca+sorvete = ice cream soda, oras
João: a verdade é que a única vaca que presta mesmo
é a vaca que faz mu
Igor: essa é ótima
João: e que podemos comer em filés, assados, na brasa
ou com suas adoráveis costelas atoladas em mandioca
i.e., vaca atolada, o único prato de bife que eu lembre cujo nome homenageie este admirável animal
Igor: e isto é realmente uma vergonha
a vaca sim, é a melhor amiga do home
João: mas não é?
ela nos dá sua carne
o leite
o queijo
o chocolate, o creme, o iogurte, a manteiga
ela nos dá seu couro para fazermos jaquetas
e os chifres de seu esposo nos dão o símbolo perfeito para os maridos de todas as vaquinhas que perambulam por aí
é um animal que nos deu tanto, e pediu tão pouco em retorno
e ainda existem ecologistas tiranos que ousam reclamar de sua flatulência!
Igor: verdade
cachaça + geléias: O.K.
João: argh
estou aqui já desde 7 horas da noite
e só tenho duas páginas e meia pra mostrar
mas é porque tive que ler uns dez artigos
e vasculhar por entre meus livros
pra explicar suficientemente bem o que é dialógica e o que é intertextualidade
Igor: g-zuis
João: quando o assunto for Lewis (que ainda não te perdoei por desprezar, cazzo) será fácil
Igor: não desprezo Lewis
só que ele não é nenhum GKC
João: você disse que "C.S. Lewis até que é bom"
o que é coisa que se diga sobre uma Britney Spears da vida, hehehe
Igor: nunca diria que Britney "até que é boa"
Britney é uma deusa
João: hehehehehe
seu desgraçado
Igor: perdoe-me: cachaça com geléia
mas Lewis é ótimo, então
e GKC é apenas inigualável
e Britney é Astartéia.
porque é que em todo filme onde tem uma rainha mãe
ela age tão incestuosamente com os filhos?
esfregando os rostos deles em público, segurando a mão deles enquanto sentada no trono
olhando invejosamente pras suas pretendentes
não é possível que toda rainha agia tão freudeanamente em realidade
Igor Barbosa: Le reine Margot em mente?
João: sim, mas nesse caso agora o Joana D'Arc
mas põe nisso também toda -toda- adaptação de Hamlet que você já viu
inclusive aquela com a Glenn Close e o Mel Gibson, que interpretam mãe e filho
mas tem QUASE A MESMA IDADE.
Igor: hehehe
Glenn Close: Morre?
João: well, por mais feminista e maricas que o teatro moderno seja
precisaria ser MUITO pra ter um Hamlet onde Gertrude não morre no final, hehe
Igor: não, digo morre em carioquês
as in, pega-se?
cata-se?
dá-se uma pressão?
João: assim, ela não come o Hamlet en scene
mas há toda uma tensão oedipal lá, isso há
Igor: hehehe
claro
João: mas o Zefirelli é meio pervertido mesmo, então não sei se é culpa inteiramente do Shakespeare
Igor: mas diga você, hombre
que acha da véia? eu a acho pretty decent
João: a Glenn Close? Nos filmes velhos, sim
mas depois de ver ela como Cruella Deville
tentando fazer um casaco de dálmatas
não tenho mais tanta certeza
mas e a Milla Jovovich?
Igor: ah, eu não
dispensaria com gosto
muito magra, muito estranha, muito extraterrestre
João: gosto dela nesse filme
no mais recente dela, ela está muito suada e maníaca, matando zumbis
mas como Joana D'Arc ela está trés adorable.
Igor: lembro disso
mas é um péssimo filme, este Joana D´arc
me: ok, pode ser
Igor: a pouco tempo tivemos uma discussão no apostos, sobre o valor de beyoncé
João: meh
a Beyoncé eu dispensaria
Igor: foi o que disse
que ela não era um topping prize
João: mas talvez mais porque a música dela me irrita
e por associação, o próprio som da voz dela
outras cantoras nesta categoria: Lady Gaga, Christina Aguilera
Igor: don´t say the name
don´t say THE NAME
Lady Gaga é hermafrodita, entonces ok.
eu só temi que vc incluísse Britney no eixo do mal
João: mas veja, a Britney (embora também seja irritante) contribuiu com coisas não-ruins ao mundo
por mais que você odeie, não há como negar que Baby, One More Time e Toxic são músicas divertidas
pode chamar de derivativas, de artisticamente nulas, de estéreis, do que quiser
mas são divertidas.
Igor: Toxic nem é ruim
é uma boa música
toque uma música no piano para saber se é boa
João: aí está: meu padrão de bom ou ruim não é qualquer critério objetivo
é divertido ou chato
Até um filme existencial e deprimente pode ser divertido
da mesma forma em que um filme de terror é divertido
você se submete temporariamente ao hipotético para experimentar vicariamente os terrores alheios
Assim como eu posso me juntar à Ripley para me perguntar que aliens estão escondidos no escuro
eu posso me juntar ao Ingmar Berman para perguntar que Deus está escondido no escuro
mesmo já sabendo anteriormente a resposta das duas perguntas
Igor: filmes de terror não me hookeiam
mas até aí, filme nenhum me hookeia
e hombre, que fazes em casa num sábado à noite?
pq não saiu
para
(tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam-tam)
B A D A L A R
?
João: hehehehe
preparando o projeto da dissertação
pra defender na qualificação e ser fuzilado por um esquadrão de doutores
o problema é que os autores que estou pesquisando- Dante e Lewis- são infinitamente maravilhosos
mas os teóricos que usarei para estudá-los são, well, chatos.
sim, Igor. Agora estou estudando aquela área que eu sempre zombei. Linguística Textual
no dia em que eu falar do Roland Barthes em termos de admiração e respeito, me dê um tiro na testa
e não enterre meu corpo em cemitério cristão
Igor: serei obrigado a isto, em honra de nossa amizade
por isso que eu sou um injenheiro sem diproma
João: hehehe
utilizando um bom e velho clichê dos filmes de zumbi
(que você, aparentemente, não gosta, seu chato que não gosta de filmes de horror)
"Se eu virar um deles, mate-me."
Igor: não gosto de filmes, em geral
João: rapaz, eu geralmente não tenho paciência de APENAS ver um filme. Então eu abro um joguinho no computador
ou converso no gtalk
enquanto assisto o filme simultaneamente
não sei porque, mas assim me sinto produtivo
se eu apenas assistir um filme, me sinto depois que perdi duas horas
mas se eu assistir um filme enquanto jogo tetris, bem, hoje eu consegui fazer duas tarefas no tempo de uma!
Igor: boa maneira de ser multitarefas
parece a minha
só bebo e fumo quando jogo e flerto
João: o que significa que o quarto do casal Barbosa
deve ter cheiro de tabaco e cerveja azeda
Igor: ah, não no quarto
mas a sala, sim
João: ou como vai a piada, um italiano diz ao outro
"Sabe quando é que eu gosto de fazer sexo?"
"Bem antes de acender um cigarro"
Igor: hehehehehe
poderiam ser gregos
rapaz, 64% dos homens gregos fumam
João: mas daí ficaria implícito que era sexo um com o outro
amor grego and all
engraçado como os títulos de reis
ás vezes não combinam com seus reinados
wikipedia dixit
"Charles VIII, called the Affable, French: l'Affable (30 June 1470 – 7 April 1498), was King of France from 1483 to his death."
"His invasion of Italy initiated the long series of Franco-Italian wars which characterized the first half of the 16th century."
seu título não pode ser "O afável" se sua maior fama é iniciar uma série de guerras continentais que marcaram um século.
Igor: hehe
eu não sou tão radical
ele podia ser gente boa na vida privada
João: pode ser
mas ás vezes a reputação política também é um indício de sua vida particular
é como diziam de Heródes, que era mais seguro ser seu porco que seu filho.
o que é insultoso de duas formas. Primeiro por deixar claro que ele matava seus filhos; e segundo por deixar implícito que ele comia porco. Mas que sua fome de porco ainda era menor que seus impulsos filicidas
Igor: considere isto
minha mulher deixou acabar o limão em casa
então tudo que eu tenho para misturar com cachaça e gelo é geléia de amora e de framboesa
e que por isso, em alguns minutos, estarei tomando uma CAIPIFRUTA
João: já vi beberem vodka com fanta uva
vodka com FANTA UVA
uma combinação que me parece bizarra como, sei lá
beber whiskey com ovomaltine
Igor: eu já bebi isso
na verdade, com conhaque
João: WHISKEY COM OVOMALTINE?
Igor: nescau, conhaque e coca-cola
João: hmph.
Igor: nescau com coca-cola é vaca preta
com conhaque, é vaca queimada
Igor: então, decidi provar a vaca salpicada. ficou ótimo
João: vaca preta não era coca cola com sorvete?
aqui no RJ, é com nescau
coca+sorvete = ice cream soda, oras
João: a verdade é que a única vaca que presta mesmo
é a vaca que faz mu
Igor: essa é ótima
João: e que podemos comer em filés, assados, na brasa
ou com suas adoráveis costelas atoladas em mandioca
i.e., vaca atolada, o único prato de bife que eu lembre cujo nome homenageie este admirável animal
Igor: e isto é realmente uma vergonha
a vaca sim, é a melhor amiga do home
João: mas não é?
ela nos dá sua carne
o leite
o queijo
o chocolate, o creme, o iogurte, a manteiga
ela nos dá seu couro para fazermos jaquetas
e os chifres de seu esposo nos dão o símbolo perfeito para os maridos de todas as vaquinhas que perambulam por aí
é um animal que nos deu tanto, e pediu tão pouco em retorno
e ainda existem ecologistas tiranos que ousam reclamar de sua flatulência!
Igor: verdade
cachaça + geléias: O.K.
João: argh
estou aqui já desde 7 horas da noite
e só tenho duas páginas e meia pra mostrar
mas é porque tive que ler uns dez artigos
e vasculhar por entre meus livros
pra explicar suficientemente bem o que é dialógica e o que é intertextualidade
Igor: g-zuis
João: quando o assunto for Lewis (que ainda não te perdoei por desprezar, cazzo) será fácil
Igor: não desprezo Lewis
só que ele não é nenhum GKC
João: você disse que "C.S. Lewis até que é bom"
o que é coisa que se diga sobre uma Britney Spears da vida, hehehe
Igor: nunca diria que Britney "até que é boa"
Britney é uma deusa
João: hehehehehe
seu desgraçado
Igor: perdoe-me: cachaça com geléia
mas Lewis é ótimo, então
e GKC é apenas inigualável
e Britney é Astartéia.
sábado, 3 de outubro de 2009
Uma pergunta
Passeando de canal a canal, peguei um pedaço de um programa chamado "Lazy Town" no Discovery Kids.
A minha pergunta é: Tia Morrissey, o que aconteceu com você???
A minha pergunta é: Tia Morrissey, o que aconteceu com você???
YOU ARE THE QUARRY.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Os Horrores da Cultura Pentecostal: Pregadores Mirins
O pastor Ciro Zibordi postou em seu blog que os pais de pregadores mirins devem permitir que suas crianças tenham uma vida normal; isto é, que crianças pregadoras devem ter tempo para serem crianças, não devem ser arrastadas por um circuito de shows/pregações em igrejas. Mas que é perfeitamente ok colocar uma criança no púlpito.
Eu discordo. Esta mania perversa de treinar crianças pregadoras não apenas traumatiza as crianças¹, mas prejudica a própria igreja ao fazer uma criança assumir a maior responsabilidade de todas no culto evangélico: expor a Palavra de Deus. É uma banalização horripilante daquilo que nosso culto tem mais precioso.
Mas como uma afirmação tão auto-evidente e óbvia como esta ainda será disputada por algumas pessoas, aí vão quatro motivos pelos quais é uma péssima idéia colocar crianças no púlpito.
1) A pregação requer exegese do texto bíblico. Pregar não significa gritar palavras de ordem para uma multidão. Pregar não significa esbravejar contra a igreja por ela não ser pentecostal o suficiente², ou santa o suficiente. Pregar é expor a palavra de Deus, é pegar um texto bíblico e tentar trazer o significado dele para seus ouvintes. Exegese requer paciência, disciplina, leitura cuidadosa dos textos. Requer atenção para o contexto histórico e cultural de cada passagem, atenção para os temas teológicos envolvidos, atenção para as formas em que cada texto é usado em outras passagens. Requer atenção para possíveis erros de interpretação, atenção para as formas em que cada texto tem sido interpretado em quase vinte séculos de tradição cristã. É uma atividade demorada, complexa, e intelectualmente exigente. Existem muitos adultos (e adultos piedosos, santos, e inteligentes) que não possuem o cuidado, a paciência ou a capacidade que a exegese requer; é impossível esperar isto de uma criança. Uma criança pode repetir uma história bíblica; ela pode gritar no microfone as ordens que Paulo dá em suas epístolas; mas ela não tem a capacidade intelectual de extrair do próprio texto sua mensagem, e de relacionar a mensagem deste texto com a totalidade da doutrina cristã e com a vida dos ouvintes.
2) A pregação requer a organização das idéias do texto num discurso inteligível e coerente. Proponho um experimento aos defensores dos pregadores mirins: peguem uma criança de oito anos, e façam-a ler algum texto da antiguidade pagã; pode ser o Épico de Gilgamesh ou a Ilíada, ou qualquer outro. Agora peça-a para instruir um grupo de adultos (que todos leram estes textos antigos há anos, alguns já mais de vinte vezes) a seu respeito. Você acha que esta criança faria um trabalho minimamente competente em expor o significado deste texto pagão? Então como você espera que ela faça o mesmo com o texto que é, em nossa fé, a revelação do próprio Deus? Mesmo se admitirmos que ela tem a capacidade de entender plenamente o que foi escrito pelos autores bíblicos (e eu já disputei esta idéia no ponto anterior), você realmente acha que a criança tem capacidade para organizar as idéias do texto, e educar um grupo de adultos quanto ao seu significado e aplicação para hoje? Você já aprendeu algo de um sermão pregado por uma criança? E olhe que na maioria dos casos a organização das idéias do texto para o formato do sermão nem é feita pela criança, e sim seus pais. Os pais da criança infeliz preparam um sermão, e então fazem a criança repetí-lo. Isto não é pregação. Se isto for pregação, então um papagaio treinado para repetir as mensagens de Spurgeon³ também é um pregador. A acusação do Pr. Zibordi, que existem algumas crianças que são somente pequenos animadores de auditório, ignora o problema real: que toda criança pregadora é, de uma forma ou outra, uma pequena animadora de auditório. Algumas animam o auditório gritando espalhafatosamente; outras pela repetição mecânica de um sermão ensaiado com os pais; mas nenhuma criança realmente pode pregar o evangelho.
3) A pregação requer experiência de vida. Eis algo tão óbvio que tenho vergonha até de escrevê-lo: a aplicação de um texto para as realidades e necessidades da congregação requer uma compreensão básica das realidades e necessidades da congregação! Uma vez que o texto bíblico foi compreendido, e sua mensagem foi comunicada, como uma criança de nove anos poderia fazer esta mensagem aplicável aos seus ouvintes? Como pregar uma palavra de consolo quando a sua maior tristeza na vida foi ser proibida de ver o show dos Jonas Brothers? Como pregar sobre a alegria no Senhor quando sua única compreensão de alegria é em termos de brinquedos e doces? Uma criança não entende (ainda) as dificuldades diárias que 99% das pessoas experimentam. Uma criança nunca sentiu dúvida em seu coração; nunca soluçou uma oração desesperada por uma cura que nunca veio; nunca maravilhou-se da graça que perdoa pecados porque ela própria não entende o quanto é pecadora, e o quão desesperadamente necessitamos da misericórdia de Deus. Não estou dizendo que apenas velhinhos que já provaram de tudo da vida podem pregar; não estou dizendo que homens solteiros não podem pregar a homens casados, ou que é proibido pregar em funerais até que alguém de sua família morra. Mas vamos todos admitir que a autoridade moral de um pregador é oca até que ele tenha um reservatório de experiências pessoais ao qual ele pode voltar para extrair uma aplicação ao texto. Este é um motivo pelo qual pregadores mirins são ridiculamente impiedosos: gritam com os irmãos; exigem que as pessoas dêem glória a Deus por alguma promessa vazia, conjurada entre um segundo e outro de uma passagem mal interpretada; urram que a vida cristã consiste apenas de vitórias; ridicularizam os fracos, desafiam impudentemente os calados. É muito fácil exultar na idéia de que a vida do crente é uma de ininterruptas conquistas espirituais, milagres e bençãos quando só se provou uma única gota (se tanto) do cálice de tentações, decepções e amarguras que cada um de nós precisa tomar até o fim.
4) A pregação requer uma vida com o Espírito Santo. Não estou falando de dons espirituais ou de fenômenos pentecostais; estou falando de santidade, de vencer diariamente a tentação diária, de amar a Deus mais do que a si mesmo. Estou falando de maturidade espiritual, de intimidade com o Senhor, de uma vida compromissada com Jesus Cristo e sua Igreja. O pregador não é apenas um expositor da Palavra; ele é um homem santo, um servo do Senhor, um emissário de Deus. O púlpito não é, e não deveria ser, um espaço democrático, mas o lugar onde uma pessoa chamada por Deus desempenha uma função sagrada. E isto requer não apenas o preparo e a experiência de vida que mencionei acima, mas experiências com Deus- de sua misericórdia, de seu poder salvador, da beleza do Senhor- que vão além de orar ao papai do céu toda noite. Não estou dizendo que crianças não podem amar a Deus; mas maturidade espiritual requer também maturidade intelectual e emocional. Em I Co. 3, Paulo criticou os coríntios por serem criancinhas em Cristo; o que ele diria se soubesse que fizemos de criancinhas de verdade os pregadores daquilo que ele, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu? Quando se tornou permissível que os membros mais imaturos da igreja assumissem a autoridade do púlpito?
______________________________
¹ E arruina a fé delas no processo. Ou ninguém lembra de Marjoe Gortner?
² Uma das marcas do pregador canalha: exigir que seu público a aplauda e dê glória a Deus pelo que ele acabou de dizer. E minha pentecostalidade é medida pela quantidade de améns e aleluias que eu grito durante uma pregação?
³ É um papagaio reformado.
Eu discordo. Esta mania perversa de treinar crianças pregadoras não apenas traumatiza as crianças¹, mas prejudica a própria igreja ao fazer uma criança assumir a maior responsabilidade de todas no culto evangélico: expor a Palavra de Deus. É uma banalização horripilante daquilo que nosso culto tem mais precioso.
Mas como uma afirmação tão auto-evidente e óbvia como esta ainda será disputada por algumas pessoas, aí vão quatro motivos pelos quais é uma péssima idéia colocar crianças no púlpito.
1) A pregação requer exegese do texto bíblico. Pregar não significa gritar palavras de ordem para uma multidão. Pregar não significa esbravejar contra a igreja por ela não ser pentecostal o suficiente², ou santa o suficiente. Pregar é expor a palavra de Deus, é pegar um texto bíblico e tentar trazer o significado dele para seus ouvintes. Exegese requer paciência, disciplina, leitura cuidadosa dos textos. Requer atenção para o contexto histórico e cultural de cada passagem, atenção para os temas teológicos envolvidos, atenção para as formas em que cada texto é usado em outras passagens. Requer atenção para possíveis erros de interpretação, atenção para as formas em que cada texto tem sido interpretado em quase vinte séculos de tradição cristã. É uma atividade demorada, complexa, e intelectualmente exigente. Existem muitos adultos (e adultos piedosos, santos, e inteligentes) que não possuem o cuidado, a paciência ou a capacidade que a exegese requer; é impossível esperar isto de uma criança. Uma criança pode repetir uma história bíblica; ela pode gritar no microfone as ordens que Paulo dá em suas epístolas; mas ela não tem a capacidade intelectual de extrair do próprio texto sua mensagem, e de relacionar a mensagem deste texto com a totalidade da doutrina cristã e com a vida dos ouvintes.
2) A pregação requer a organização das idéias do texto num discurso inteligível e coerente. Proponho um experimento aos defensores dos pregadores mirins: peguem uma criança de oito anos, e façam-a ler algum texto da antiguidade pagã; pode ser o Épico de Gilgamesh ou a Ilíada, ou qualquer outro. Agora peça-a para instruir um grupo de adultos (que todos leram estes textos antigos há anos, alguns já mais de vinte vezes) a seu respeito. Você acha que esta criança faria um trabalho minimamente competente em expor o significado deste texto pagão? Então como você espera que ela faça o mesmo com o texto que é, em nossa fé, a revelação do próprio Deus? Mesmo se admitirmos que ela tem a capacidade de entender plenamente o que foi escrito pelos autores bíblicos (e eu já disputei esta idéia no ponto anterior), você realmente acha que a criança tem capacidade para organizar as idéias do texto, e educar um grupo de adultos quanto ao seu significado e aplicação para hoje? Você já aprendeu algo de um sermão pregado por uma criança? E olhe que na maioria dos casos a organização das idéias do texto para o formato do sermão nem é feita pela criança, e sim seus pais. Os pais da criança infeliz preparam um sermão, e então fazem a criança repetí-lo. Isto não é pregação. Se isto for pregação, então um papagaio treinado para repetir as mensagens de Spurgeon³ também é um pregador. A acusação do Pr. Zibordi, que existem algumas crianças que são somente pequenos animadores de auditório, ignora o problema real: que toda criança pregadora é, de uma forma ou outra, uma pequena animadora de auditório. Algumas animam o auditório gritando espalhafatosamente; outras pela repetição mecânica de um sermão ensaiado com os pais; mas nenhuma criança realmente pode pregar o evangelho.
3) A pregação requer experiência de vida. Eis algo tão óbvio que tenho vergonha até de escrevê-lo: a aplicação de um texto para as realidades e necessidades da congregação requer uma compreensão básica das realidades e necessidades da congregação! Uma vez que o texto bíblico foi compreendido, e sua mensagem foi comunicada, como uma criança de nove anos poderia fazer esta mensagem aplicável aos seus ouvintes? Como pregar uma palavra de consolo quando a sua maior tristeza na vida foi ser proibida de ver o show dos Jonas Brothers? Como pregar sobre a alegria no Senhor quando sua única compreensão de alegria é em termos de brinquedos e doces? Uma criança não entende (ainda) as dificuldades diárias que 99% das pessoas experimentam. Uma criança nunca sentiu dúvida em seu coração; nunca soluçou uma oração desesperada por uma cura que nunca veio; nunca maravilhou-se da graça que perdoa pecados porque ela própria não entende o quanto é pecadora, e o quão desesperadamente necessitamos da misericórdia de Deus. Não estou dizendo que apenas velhinhos que já provaram de tudo da vida podem pregar; não estou dizendo que homens solteiros não podem pregar a homens casados, ou que é proibido pregar em funerais até que alguém de sua família morra. Mas vamos todos admitir que a autoridade moral de um pregador é oca até que ele tenha um reservatório de experiências pessoais ao qual ele pode voltar para extrair uma aplicação ao texto. Este é um motivo pelo qual pregadores mirins são ridiculamente impiedosos: gritam com os irmãos; exigem que as pessoas dêem glória a Deus por alguma promessa vazia, conjurada entre um segundo e outro de uma passagem mal interpretada; urram que a vida cristã consiste apenas de vitórias; ridicularizam os fracos, desafiam impudentemente os calados. É muito fácil exultar na idéia de que a vida do crente é uma de ininterruptas conquistas espirituais, milagres e bençãos quando só se provou uma única gota (se tanto) do cálice de tentações, decepções e amarguras que cada um de nós precisa tomar até o fim.
4) A pregação requer uma vida com o Espírito Santo. Não estou falando de dons espirituais ou de fenômenos pentecostais; estou falando de santidade, de vencer diariamente a tentação diária, de amar a Deus mais do que a si mesmo. Estou falando de maturidade espiritual, de intimidade com o Senhor, de uma vida compromissada com Jesus Cristo e sua Igreja. O pregador não é apenas um expositor da Palavra; ele é um homem santo, um servo do Senhor, um emissário de Deus. O púlpito não é, e não deveria ser, um espaço democrático, mas o lugar onde uma pessoa chamada por Deus desempenha uma função sagrada. E isto requer não apenas o preparo e a experiência de vida que mencionei acima, mas experiências com Deus- de sua misericórdia, de seu poder salvador, da beleza do Senhor- que vão além de orar ao papai do céu toda noite. Não estou dizendo que crianças não podem amar a Deus; mas maturidade espiritual requer também maturidade intelectual e emocional. Em I Co. 3, Paulo criticou os coríntios por serem criancinhas em Cristo; o que ele diria se soubesse que fizemos de criancinhas de verdade os pregadores daquilo que ele, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu? Quando se tornou permissível que os membros mais imaturos da igreja assumissem a autoridade do púlpito?
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¹ E arruina a fé delas no processo. Ou ninguém lembra de Marjoe Gortner?
² Uma das marcas do pregador canalha: exigir que seu público a aplauda e dê glória a Deus pelo que ele acabou de dizer. E minha pentecostalidade é medida pela quantidade de améns e aleluias que eu grito durante uma pregação?
³ É um papagaio reformado.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Agostinho: Mateus 5:16
Let your light, says He, so shine before men, that they may see your good works, and glorify your Father which is in heaven. If He had merely said, Let your light so shine before men, that they may see your good works, He would seem to have fixed an end in the praises of men, which hypocrites seek, and those who canvass for honours and covet glory of the emptiest kind. Against such parties it is said, If I yet pleased men, I should not be the servant of Christ; and, by the prophet, They who please men are put to shame, because God has despised them; and again, God has broken the bones of those who please men; and again the apostle, Let us not be desirous of vainglory; and still another time, But let every man prove his own work, and then shall he have rejoicing in himself alone, and not in another. Hence our Lord has not said merely, that they may see your good works, but has added, and glorify your Father who is in heaven: so that the mere fact that a man by means of good works pleases men, does not there set it up as an end that he should please men; but let him subordinate this to the praise of God, and for this reason please men, that God may be glorified in him. For this is expedient for them who offer praise, that they should honour, not man, but God; as our Lord showed in the case of the man who was carried, where, on the paralytic being healed, the multitude, marvelling at His powers, as it is written in the Gospel, feared and glorified God, which had given such power unto men. And His imitator, the Apostle Paul, says, But they had heard only, that he which persecuted us in times past now preaches the faith which once he destroyed; and they glorified God in me.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Terra santa
Uma igreja não é um prédio; é a comunidade, são as pessoas que a compõem. Sendo assim, as pessoas não vão para a igreja aos domingos; elas reunem a igreja aos domingos. Embora a igreja sempre exista, mesmo se os membros da igreja estão isolados uns dos outros, o prédio onde ocorrem cultos, vigílias, batismos, etc só existe como "igreja" quando a igreja (sem aspas) está reunida dentro dela.
É por isso que todo lugar pode se tornar uma igreja. Um quarto de hospital pode ser um templo. A mesa da cozinha onde partimos o pão torrado pode ser também o altar em que partilhamos o corpo de Cristo. O místico se lança de cara ao chão da igreja, esparrama-se para gemer e orar; e eu faço o mesmo, caio sobre minha cama e imploro a Deus que tenha misericórdia de mim por apenas mais um dia. Onde dois ou três estão reunidos em seu nome, lá está Jesus, Deus sobre nós e entre nós e dentro de nós. Eu e você e você reunidos, e agora somos a casa de Deus, e somos da casa de Deus, e entramos na casa de Deus. E Deus, anfitrião cuidadoso que é, pede que removamos os sapatos antes de pisar no chão limpo. Tira as sandálias dos teus pés, pois o lugar em que tu estás é terra santa.
E é por isso que não entendo (aliás, entendo, mas não concordo com) a indignação que algumas pessoas tem com atividades inócuas que ocorrem dentro da "igreja", o prédio onde a igreja se reúne. Fizeram uma festa na igreja! Abriram uma banquinha pra vender salgadinho na igreja! Os jovens vão brincar de luta livre na igreja! Vi um casal se beijando na igreja! Vi o irmão entrar de bermuda na igreja!
E daí? Estão interrompendo um culto, um círculo de oração, qualquer atividade na qual a igreja se reúne como igreja? Não? Então deixem-os em paz. Não existe irreverência para com um prédio- o prédio não é solo sagrado- mas apenas para com a presença de Deus entre aqueles que se reúnem em seu nome. A "igreja" sem a igreja é apenas um salão; então deixe a igreja fazer o que bem entender com ela.
É por isso que todo lugar pode se tornar uma igreja. Um quarto de hospital pode ser um templo. A mesa da cozinha onde partimos o pão torrado pode ser também o altar em que partilhamos o corpo de Cristo. O místico se lança de cara ao chão da igreja, esparrama-se para gemer e orar; e eu faço o mesmo, caio sobre minha cama e imploro a Deus que tenha misericórdia de mim por apenas mais um dia. Onde dois ou três estão reunidos em seu nome, lá está Jesus, Deus sobre nós e entre nós e dentro de nós. Eu e você e você reunidos, e agora somos a casa de Deus, e somos da casa de Deus, e entramos na casa de Deus. E Deus, anfitrião cuidadoso que é, pede que removamos os sapatos antes de pisar no chão limpo. Tira as sandálias dos teus pés, pois o lugar em que tu estás é terra santa.
E é por isso que não entendo (aliás, entendo, mas não concordo com) a indignação que algumas pessoas tem com atividades inócuas que ocorrem dentro da "igreja", o prédio onde a igreja se reúne. Fizeram uma festa na igreja! Abriram uma banquinha pra vender salgadinho na igreja! Os jovens vão brincar de luta livre na igreja! Vi um casal se beijando na igreja! Vi o irmão entrar de bermuda na igreja!
E daí? Estão interrompendo um culto, um círculo de oração, qualquer atividade na qual a igreja se reúne como igreja? Não? Então deixem-os em paz. Não existe irreverência para com um prédio- o prédio não é solo sagrado- mas apenas para com a presença de Deus entre aqueles que se reúnem em seu nome. A "igreja" sem a igreja é apenas um salão; então deixe a igreja fazer o que bem entender com ela.
sábado, 19 de setembro de 2009
The Martyrdom of Polycarp
They did not nail him then, but simply bound him. And he, placing his hands behind him, and being bound like a distinguished ram taken out of a great flock for sacrifice, and prepared to be an acceptable burnt-offering unto God, looked up to heaven, and said,
"O Lord God Almighty, the Father of your beloved and blessed Son Jesus Christ, by whom we have received the knowledge of You, the God of angels and powers, and of every creature, and of the whole race of the righteous who live before you, I give You thanks that You have counted me, worthy of this day and this hour, that I should have a part in the number of Your martyrs, in the cup of your Christ, to the resurrection of eternal life, both of soul and body, through the incorruption imparted by the Holy Ghost. Among whom may I be accepted this day before You as a fat and acceptable sacrifice, according as You, the ever-truthful God, hast foreordained, hast revealed beforehand to me, and now hast fulfilled. Wherefore also I praise You for all things, I bless You, I glorify You, along with the everlasting and heavenly Jesus Christ, Your beloved Son, with whom, to You, and the Holy Ghost, be glory both now and to all coming ages. Amen."
When he had pronounced this amen, and so finished his prayer, those who were appointed for the purpose kindled the fire. And as the flame blazed forth in great fury, we, to whom it was given to witness it, beheld a great miracle, and have been preserved that we might report to others what then took place. For the fire, shaping itself into the form of an arch, like the sail of a ship when filled with the wind, encompassed as by a circle the body of the martyr. And he appeared within not like flesh which is burnt, but as bread that is baked, or as gold and silver glowing in a furnace. Moreover, we perceived such a sweet odour coming from the pile, as if frankincense or some such precious spices had been smoking there.
"O Lord God Almighty, the Father of your beloved and blessed Son Jesus Christ, by whom we have received the knowledge of You, the God of angels and powers, and of every creature, and of the whole race of the righteous who live before you, I give You thanks that You have counted me, worthy of this day and this hour, that I should have a part in the number of Your martyrs, in the cup of your Christ, to the resurrection of eternal life, both of soul and body, through the incorruption imparted by the Holy Ghost. Among whom may I be accepted this day before You as a fat and acceptable sacrifice, according as You, the ever-truthful God, hast foreordained, hast revealed beforehand to me, and now hast fulfilled. Wherefore also I praise You for all things, I bless You, I glorify You, along with the everlasting and heavenly Jesus Christ, Your beloved Son, with whom, to You, and the Holy Ghost, be glory both now and to all coming ages. Amen."
When he had pronounced this amen, and so finished his prayer, those who were appointed for the purpose kindled the fire. And as the flame blazed forth in great fury, we, to whom it was given to witness it, beheld a great miracle, and have been preserved that we might report to others what then took place. For the fire, shaping itself into the form of an arch, like the sail of a ship when filled with the wind, encompassed as by a circle the body of the martyr. And he appeared within not like flesh which is burnt, but as bread that is baked, or as gold and silver glowing in a furnace. Moreover, we perceived such a sweet odour coming from the pile, as if frankincense or some such precious spices had been smoking there.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Volta, Princesa Isabel!
João Santos: Ah rapaz, todo mundo já está casado ou casando
o Éber já vai casar, o Nagel casou
e seu filho nasceu bem depois de eu conhecê-lo, sua vida de homem sério já antedata nossa amizade
só sobrou um que ainda não dobrou joelho a Baal
Igor Barbosa: sim, apenas um de pé na fornalha ardente.
João: É melhor casar do que queimar *
ou, como já li- e achei a tradução mais caliente- "melhor casar do que viver abrasado"
Igor: sim. quando vc for pedir uma chica em casamento leve um cigarro aceso.
se ela recusar, queime-a e diga que é melhor casar que viver queimando
João: "Melhor casar do que viver queimando"
melhor slogan para converter gays ever
mas hey, eu nem poderia fazer isso em São Paulo
porque passaram a abominável lei antifumo
e agora é proibido fumar em bares e restaurantes
daqui a pouco vai ser proibido beber e conversar também
Igor: em SP, até São Paulo é desenhado como um gay - vc me mostrou isso.**
João: é a institucionalização da pussíce, "the pussification of the american male" descrita pelo G. Carlin
que já se extende aos seus companheiros latinos
Igor: o macho paulistano já era bem pussificado, a ponto de votar no Serra sabendo que era disso que ele gostava
João: O Serra é gay também?
Igor: não, não quis dizer isso
se bem q, né. não estranharia
só quis dizer que o Serra sempre anunciou que pretende proibir o fumo até em marte, se deixarem
João: bleh
Igor: hombre, eles proibiram até as coxinhas nas cantinas das escolas
João: COXINHA? PROIBIDA?
Igor: sim. no sabes?
João: que bastardos!
Igor: frituras
certos doces, também - cintia me lembrou dos chiclets
lembre disso: se for mandar seu filho estudar em SP, ele não vai poder comer uma coxinha no recreio
nem um risole, nem um kibe
as crianças serão criadas entre granolas, ovos cozidos, pão integral com queijo minas e iogurte
João: e nem poderão fumar no portão da escola
Igor: mas se quiserem, há camisinhas gratuitas na maquininha.
BOA, GOVERNO
João: High-five, estado!
Igor: VALEU, REPÚBLICA! CHUPA, DOM PEDRO II!
João: meh. é o que já dizia o apóstolo João: o mundo jaz no maligno.
E lembrei agora aquela nossa velha discussão sobre política no PC, hehe.***
Igor: é pq eu sou o Jackson de Figueiredo
se há buracos nas ruas, culpa da república.
se o governo proibe coxinhas e estimula sexo casual sodomita seguido de gravidez e aborto com aids entre adolescentes, maldita república
se eu tenho uma dor de cabeça, volta, Princesa Isabel!
João: hehehe
Ela pelo menos libertou os escravos
o que Serra já fez?
Igor: já libertou os próprios cabelos de viverem perto de seu cérebro MALÍGUINO
João: HAHAHAHA
Viva as piadas de careca!
(pelo menos até que eu vire mais um maldito calvo)
(estou ficando careca, mi hermano. já sinto em minh'alma)
Igor: vc sempre pode comprar uma peruca
ou viena hair.
ou trocar de nome para "IOHANNIS CALVINUS, MESTRE EM CIÊNCIAS TEOLÓGICAS"
bem original
João: Calvino, o anti-calvinista
that has a nice ring to it.
_____________________________
* 1 Coríntios 7:9
** Oh yes. É verdade.
*** Discussão na qual o Igor, talvez pelo prazer de me irritar, defendeu a monarquia e o voto nulo, e chamou o C.S. Lewis de escritor de segunda linha. Se quiserem ler os posts, cliquem no tag "política idiota" que vocês os acharão lá.
o Éber já vai casar, o Nagel casou
e seu filho nasceu bem depois de eu conhecê-lo, sua vida de homem sério já antedata nossa amizade
só sobrou um que ainda não dobrou joelho a Baal
Igor Barbosa: sim, apenas um de pé na fornalha ardente.
João: É melhor casar do que queimar *
ou, como já li- e achei a tradução mais caliente- "melhor casar do que viver abrasado"
Igor: sim. quando vc for pedir uma chica em casamento leve um cigarro aceso.
se ela recusar, queime-a e diga que é melhor casar que viver queimando
João: "Melhor casar do que viver queimando"
melhor slogan para converter gays ever
mas hey, eu nem poderia fazer isso em São Paulo
porque passaram a abominável lei antifumo
e agora é proibido fumar em bares e restaurantes
daqui a pouco vai ser proibido beber e conversar também
Igor: em SP, até São Paulo é desenhado como um gay - vc me mostrou isso.**
João: é a institucionalização da pussíce, "the pussification of the american male" descrita pelo G. Carlin
que já se extende aos seus companheiros latinos
Igor: o macho paulistano já era bem pussificado, a ponto de votar no Serra sabendo que era disso que ele gostava
João: O Serra é gay também?
Igor: não, não quis dizer isso
se bem q, né. não estranharia
só quis dizer que o Serra sempre anunciou que pretende proibir o fumo até em marte, se deixarem
João: bleh
Igor: hombre, eles proibiram até as coxinhas nas cantinas das escolas
João: COXINHA? PROIBIDA?
Igor: sim. no sabes?
João: que bastardos!
Igor: frituras
certos doces, também - cintia me lembrou dos chiclets
lembre disso: se for mandar seu filho estudar em SP, ele não vai poder comer uma coxinha no recreio
nem um risole, nem um kibe
as crianças serão criadas entre granolas, ovos cozidos, pão integral com queijo minas e iogurte
João: e nem poderão fumar no portão da escola
Igor: mas se quiserem, há camisinhas gratuitas na maquininha.
BOA, GOVERNO
João: High-five, estado!
Igor: VALEU, REPÚBLICA! CHUPA, DOM PEDRO II!
João: meh. é o que já dizia o apóstolo João: o mundo jaz no maligno.
E lembrei agora aquela nossa velha discussão sobre política no PC, hehe.***
Igor: é pq eu sou o Jackson de Figueiredo
se há buracos nas ruas, culpa da república.
se o governo proibe coxinhas e estimula sexo casual sodomita seguido de gravidez e aborto com aids entre adolescentes, maldita república
se eu tenho uma dor de cabeça, volta, Princesa Isabel!
João: hehehe
Ela pelo menos libertou os escravos
o que Serra já fez?
Igor: já libertou os próprios cabelos de viverem perto de seu cérebro MALÍGUINO
João: HAHAHAHA
Viva as piadas de careca!
(pelo menos até que eu vire mais um maldito calvo)
(estou ficando careca, mi hermano. já sinto em minh'alma)
Igor: vc sempre pode comprar uma peruca
ou viena hair.
ou trocar de nome para "IOHANNIS CALVINUS, MESTRE EM CIÊNCIAS TEOLÓGICAS"
bem original
João: Calvino, o anti-calvinista
that has a nice ring to it.
_____________________________
* 1 Coríntios 7:9
** Oh yes. É verdade.
*** Discussão na qual o Igor, talvez pelo prazer de me irritar, defendeu a monarquia e o voto nulo, e chamou o C.S. Lewis de escritor de segunda linha. Se quiserem ler os posts, cliquem no tag "política idiota" que vocês os acharão lá.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Até que o papa morra
João Santos: mas rapaz,
você sabia que o mapa que aprendemos na escola
está completamente errado?
Igor Barbosa: desconfiava.
algum indício mais óbvio?
João: aparentemente ele foi desenhado por imperialistas eurocentricos que buscavam encolher os países do terceiro mundo
e aumentar o tamanha dasorópa
Igor: HAHAHAHAHAHA
João: essa foi minha reação inicial também
até que... see for yourself
http://en.wikipedia.org/wiki/Mercator_projection
esse é o mapa tradicional
Igor: ah, a projeção de mercator
João: esse seria um mapa mais correto:
http://en.wikipedia.org/wiki/Gall-Peters_projection
confira o tamanho monstruoso da África e da América do Sul
o Brasil tá maior que a China nesse mapa
Igor: "The Gall-Peters achieved considerable notoriety in the late 20th century as the centerpiece of a controversy surrounding the political implications of map design"
João: sim
Igor: parabéns, Descartes, você venceu
João: a questão é que o mapa Mercator infla o tamanho de terras para o norte e sul do equador enquanto no mapa maluco (o segundo) o tamanho de cada continente representa sua área real, sem distorções
pelo menos é o que diz a wikipedia
e a wikipedia nunca mente.
Igor: isto é um argumento.
João: se tivessem redesenhado o mapa
e dissessem "Hey, pessoal, parece que estivemos errados esse tempo todo! ha ha! Que loucura!"
não causaria confusão
o que causa confusão é...
well, vou citar aqui pra você o que a wikipedia diz
"The Mercator projection increasingly inflates the sizes of regions according to their distance from the equator. This inflation results, for example, in a representation of Greenland that is larger than Africa, whereas in reality Africa is 14 times as large. Since much of the technologically underdeveloped world lies near the equator, these countries appear smaller on a Mercator, and therefore, according to Peters, seem less significant. On Peters's projection, by contrast, areas of equal size on the globe are also equally sized on the map. By using his "new" projection, poorer, less powerful nations could be restored to their rightful proportions."
Igor: mas isso é um fato conhecido, que é impossível projetar uma esfera num plano com completa precisão
João: O que o mapa diz é "Tá vendo como você é minúscula, sua Europa prepotente??? CURVE-SE PERANTE THE MIGHTY WRATH OF AFRICA."
Igor: não só temos pênis maiores, nossas nações são maiores também
João: mas hey! isso significa que o Brasil é maior também
uhu!
Igor: por justiça, nosso time de futebol tem que entrar com 14 jogadores na próxima copa do mundo
João: amém
aliás, onde está nossa cadeira no Conselho de Segurança da ONU?
somos maiores que a China e os EUA! Somos quase do tamanho da Rússia!
Igor: vamos pegar os EUA na saída podemos roubar o lanche da europa inteira
João: hehehehe
Que século chinês o quê
a próxima mega-potência será o BRASIL
nossos deputados roubarão verbas para a construção de escolas NA AUSTRÁLIA
Antônio Carlos Magalhães VI vendeu segredos nucleares em troca de quatro concessões de rádio na Bahia!
o presidente do senado foi acusado de incitar guerras civis na Europa central!
Senhor Jesus, proteja o mundo de um dia o Brasil adquirir qualquer medida de poder.
Igor: Nah. Esta grande nação católica liderará o mundo no alvorecer da nova Cristandade
ou isso, ou o mundo inteiro dançará o tchan embaixo das cimitarras muçulmanas
mas isso eu digo: se sobrevivermos aos muçulmanos, o Brasil liderará a reconquista e a nova cristandade
João: Melhor ainda: a maior população pentecostal do planeta (hey, that's us!) fará do mundo sua paróquia
sim, eu sei que usei uma expressão metodista para descrever nossa conquista do globo
mas what the hell, somos cria dos metodistas mesmo
John Wesley influenciou, sozinho, a teologia das igrejas pentecostais mais do que qualquer autor pentecostal, vivo ou morto
Igor: hey, até que o papa morra e outro não assuma
o termo "paróquia" é de origem católica
João: sim, sim, eu sei.
hehe.
você sabia que o mapa que aprendemos na escola
está completamente errado?
Igor Barbosa: desconfiava.
algum indício mais óbvio?
João: aparentemente ele foi desenhado por imperialistas eurocentricos que buscavam encolher os países do terceiro mundo
e aumentar o tamanha dasorópa
Igor: HAHAHAHAHAHA
João: essa foi minha reação inicial também
até que... see for yourself
http://en.wikipedia.org/wiki/Mercator_projection
esse é o mapa tradicional
Igor: ah, a projeção de mercator
João: esse seria um mapa mais correto:
http://en.wikipedia.org/wiki/Gall-Peters_projection
confira o tamanho monstruoso da África e da América do Sul
o Brasil tá maior que a China nesse mapa
Igor: "The Gall-Peters achieved considerable notoriety in the late 20th century as the centerpiece of a controversy surrounding the political implications of map design"
João: sim
Igor: parabéns, Descartes, você venceu
João: a questão é que o mapa Mercator infla o tamanho de terras para o norte e sul do equador enquanto no mapa maluco (o segundo) o tamanho de cada continente representa sua área real, sem distorções
pelo menos é o que diz a wikipedia
e a wikipedia nunca mente.
Igor: isto é um argumento.
João: se tivessem redesenhado o mapa
e dissessem "Hey, pessoal, parece que estivemos errados esse tempo todo! ha ha! Que loucura!"
não causaria confusão
o que causa confusão é...
well, vou citar aqui pra você o que a wikipedia diz
"The Mercator projection increasingly inflates the sizes of regions according to their distance from the equator. This inflation results, for example, in a representation of Greenland that is larger than Africa, whereas in reality Africa is 14 times as large. Since much of the technologically underdeveloped world lies near the equator, these countries appear smaller on a Mercator, and therefore, according to Peters, seem less significant. On Peters's projection, by contrast, areas of equal size on the globe are also equally sized on the map. By using his "new" projection, poorer, less powerful nations could be restored to their rightful proportions."
Igor: mas isso é um fato conhecido, que é impossível projetar uma esfera num plano com completa precisão
João: O que o mapa diz é "Tá vendo como você é minúscula, sua Europa prepotente??? CURVE-SE PERANTE THE MIGHTY WRATH OF AFRICA."
Igor: não só temos pênis maiores, nossas nações são maiores também
João: mas hey! isso significa que o Brasil é maior também
uhu!
Igor: por justiça, nosso time de futebol tem que entrar com 14 jogadores na próxima copa do mundo
João: amém
aliás, onde está nossa cadeira no Conselho de Segurança da ONU?
somos maiores que a China e os EUA! Somos quase do tamanho da Rússia!
Igor: vamos pegar os EUA na saída podemos roubar o lanche da europa inteira
João: hehehehe
Que século chinês o quê
a próxima mega-potência será o BRASIL
nossos deputados roubarão verbas para a construção de escolas NA AUSTRÁLIA
Antônio Carlos Magalhães VI vendeu segredos nucleares em troca de quatro concessões de rádio na Bahia!
o presidente do senado foi acusado de incitar guerras civis na Europa central!
Senhor Jesus, proteja o mundo de um dia o Brasil adquirir qualquer medida de poder.
Igor: Nah. Esta grande nação católica liderará o mundo no alvorecer da nova Cristandade
ou isso, ou o mundo inteiro dançará o tchan embaixo das cimitarras muçulmanas
mas isso eu digo: se sobrevivermos aos muçulmanos, o Brasil liderará a reconquista e a nova cristandade
João: Melhor ainda: a maior população pentecostal do planeta (hey, that's us!) fará do mundo sua paróquia
sim, eu sei que usei uma expressão metodista para descrever nossa conquista do globo
mas what the hell, somos cria dos metodistas mesmo
John Wesley influenciou, sozinho, a teologia das igrejas pentecostais mais do que qualquer autor pentecostal, vivo ou morto
Igor: hey, até que o papa morra e outro não assuma
o termo "paróquia" é de origem católica
João: sim, sim, eu sei.
hehe.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
A teologia é para todos?
Not to every one, my friends, does it belong to philosophize about God; not to every one; the Subject is not so cheap and low; and I will add, not before every audience, nor at all times, nor on all points; but on certain occasions, and before certain persons, and within certain limits.
Not to all men, because it is permitted only to those who have been examined, and are passed masters in meditation, and who have been previously purified in soul and body, or at the very least are being purified. For the impure to touch the pure is, we may safely say, not safe, just as it is unsafe to fix weak eyes upon the sun's rays. And what is the permitted occasion? It is when we are free from all external defilement or disturbance, and when that which rules within us is not confused with vexatious or erring images; like persons mixing up good writing with bad, or filth with the sweet odours of ointments. For it is necessary to be truly at leisure to know God; and when we can get a convenient season, to discern the straight road of the things divine. And who are the permitted persons? They to whom the subject is of real concern, and not they who make it a matter of pleasant gossip, like any other thing, after the races, or the theatre, or a concert, or a dinner, or still lower employments. To such men as these, idle jests and pretty contradictions about these subjects are a part of their amusement.
O trechinho acima é do Gregório Nazianzeno; estou preguiçoso demais para traduzir agora, e a tradução inglesa é tão mais elegante do que qualquer tradução que eu faça por aqui. Mas eis uma pergunta válida: há qualquer proveito em discutir Deus e as coisas de Deus com pessoas que levam tudo na frivolidade?
E é curioso que Gregório desencoraje os frívolos de especularem a respeito de Deus não para preservar a doutrina correta, mas para proteger os próprios desrespeitosos do poder daquilo que eles tratam tão casualmente. Gregório vira a idéia de Mateus 7:6 de ponta-cabeça: pérolas não devem ser lançadas aos porcos- não porque os porcos as esmagarão com suas patas, mas porque há o risco dos porquinhos engasgarem nelas.
Not to all men, because it is permitted only to those who have been examined, and are passed masters in meditation, and who have been previously purified in soul and body, or at the very least are being purified. For the impure to touch the pure is, we may safely say, not safe, just as it is unsafe to fix weak eyes upon the sun's rays. And what is the permitted occasion? It is when we are free from all external defilement or disturbance, and when that which rules within us is not confused with vexatious or erring images; like persons mixing up good writing with bad, or filth with the sweet odours of ointments. For it is necessary to be truly at leisure to know God; and when we can get a convenient season, to discern the straight road of the things divine. And who are the permitted persons? They to whom the subject is of real concern, and not they who make it a matter of pleasant gossip, like any other thing, after the races, or the theatre, or a concert, or a dinner, or still lower employments. To such men as these, idle jests and pretty contradictions about these subjects are a part of their amusement.
O trechinho acima é do Gregório Nazianzeno; estou preguiçoso demais para traduzir agora, e a tradução inglesa é tão mais elegante do que qualquer tradução que eu faça por aqui. Mas eis uma pergunta válida: há qualquer proveito em discutir Deus e as coisas de Deus com pessoas que levam tudo na frivolidade?
E é curioso que Gregório desencoraje os frívolos de especularem a respeito de Deus não para preservar a doutrina correta, mas para proteger os próprios desrespeitosos do poder daquilo que eles tratam tão casualmente. Gregório vira a idéia de Mateus 7:6 de ponta-cabeça: pérolas não devem ser lançadas aos porcos- não porque os porcos as esmagarão com suas patas, mas porque há o risco dos porquinhos engasgarem nelas.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Da Vergonha de Ser Evangélico
Este post do Augustus Nicodemus e uma conversa de ontem com a Laila me fizeram pensar das vezes em que já senti vergonha de ser evangélico. São tantas coisas que provocam esse sentimento. As calhordices dos bispos e apóstolos cujas ovelhas existem apenas para a tosqueia. O anti-intelectualismo que glorifica a burrice barulhenta. Os evangelistas e cantores cujo status de superstar dentro das igrejas denuncia nossa ignorância e vulgaridade. A chatice de nossa música, nossos romances, nossos filmes, que tão raramente demonstram qualquer vestígio de brilho ou originalidade, mas são apenas cópias de cópias de arte secular- e má arte secular. A banda que é o Blink-182 evangélico; o Calcinha Preta gospel; os funkeiros da fé.
O problema é que mesmo enquanto enrubescemos de vergonha com as safadezas e cretinices do mundo evangélico, estamos engolindo a mentira de que ser evangélico é isso que os apóstolos e as bispas e os baderneiros representam. E não é. O problema é que nós deixamos os falsos pastores e os vendedores da fé se posicionarem na sociedade como os porta-vozes do mundo evangélico. Nós- com nossa ausência, nossa apatia, nossa falta de vontade de colocar a cara para bater- deixamos que a moeda falsa passasse por verdadeira, e que essa corja desonesta se fizesse o rosto do evangelicalismo brasileiro.
Daí vem os iluminados, os sábios entre nós que, no desespero de serem confundidos com a turba burra, já vão esclarecendo que não são evangélicos. Esses batistas, assembleianos, presbiterianos, metodistas tropeçando um sobre o outro na pressa de dizer que evangélicos são os outros. Eu não sou evangélico, sou seguidor de Cristo. Eu não sou evangélico, sou reformado. Eu não sou evangélico, sou protestante. Eu não sou evangélico, sou cristão. Já abandonamos o termo "crente"- qual foi a última vez que você ouviu alguém dizer, em público, "Eu sou crente"?- e agora estamos abandonando o termo evangélico, para não sermos jogados no mesmo balaio que os neopentecostais. Trememos de medo da reprovação alheia, dos olhares de zombaria, das perguntas do tipo "Mas você não acredita realmente que _______, acredita?"
É um ciclo. A liderança cínica de algumas igrejas propaga algum absurdo, nós escondemos num cantinho com vergonha, disfarçamos que não somos evangélicos- e você não me engana, seu batista que acha que beber cerveja é pecado, você É evangélico- e os charlatães consolidam-se como as vozes mais conhecidas (e logo, se não tomarmos cuidado, serão as únicas vozes) do evangelicalismo no discurso público.
Já chega. Estamos cansados de sobrar pra nós- crentes sérios, tolerantes, amantes de Deus, servos da Palavra- quando esses ladrões aprontam? Então vamos abrir a boca. Vamos confrontar essas pessoas, vamos expor seus enganos, vamos mostrar que ser evangélico não significa ser um idiota. Vamos dar uma surra de Bíblia nesse povo. Vamos mostrar que arte crente não precisa ser- ora raios, nunca deveria ter sido- derivativa. Vamos boicotar a marcha pra Jesus.
E vamos nos chamar, sim, de evangélicos. De crentes. E dessa vez, sem vergonha.
O problema é que mesmo enquanto enrubescemos de vergonha com as safadezas e cretinices do mundo evangélico, estamos engolindo a mentira de que ser evangélico é isso que os apóstolos e as bispas e os baderneiros representam. E não é. O problema é que nós deixamos os falsos pastores e os vendedores da fé se posicionarem na sociedade como os porta-vozes do mundo evangélico. Nós- com nossa ausência, nossa apatia, nossa falta de vontade de colocar a cara para bater- deixamos que a moeda falsa passasse por verdadeira, e que essa corja desonesta se fizesse o rosto do evangelicalismo brasileiro.
Daí vem os iluminados, os sábios entre nós que, no desespero de serem confundidos com a turba burra, já vão esclarecendo que não são evangélicos. Esses batistas, assembleianos, presbiterianos, metodistas tropeçando um sobre o outro na pressa de dizer que evangélicos são os outros. Eu não sou evangélico, sou seguidor de Cristo. Eu não sou evangélico, sou reformado. Eu não sou evangélico, sou protestante. Eu não sou evangélico, sou cristão. Já abandonamos o termo "crente"- qual foi a última vez que você ouviu alguém dizer, em público, "Eu sou crente"?- e agora estamos abandonando o termo evangélico, para não sermos jogados no mesmo balaio que os neopentecostais. Trememos de medo da reprovação alheia, dos olhares de zombaria, das perguntas do tipo "Mas você não acredita realmente que _______, acredita?"
É um ciclo. A liderança cínica de algumas igrejas propaga algum absurdo, nós escondemos num cantinho com vergonha, disfarçamos que não somos evangélicos- e você não me engana, seu batista que acha que beber cerveja é pecado, você É evangélico- e os charlatães consolidam-se como as vozes mais conhecidas (e logo, se não tomarmos cuidado, serão as únicas vozes) do evangelicalismo no discurso público.
Já chega. Estamos cansados de sobrar pra nós- crentes sérios, tolerantes, amantes de Deus, servos da Palavra- quando esses ladrões aprontam? Então vamos abrir a boca. Vamos confrontar essas pessoas, vamos expor seus enganos, vamos mostrar que ser evangélico não significa ser um idiota. Vamos dar uma surra de Bíblia nesse povo. Vamos mostrar que arte crente não precisa ser- ora raios, nunca deveria ter sido- derivativa. Vamos boicotar a marcha pra Jesus.
E vamos nos chamar, sim, de evangélicos. De crentes. E dessa vez, sem vergonha.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
O problema
Estive me perguntando porque tenho tanta dificuldade para escrever nesse blog. Quem sabe se eu expor os motivos em consigo exorcizá-los.
O que me congela os dedos no momento em que os deito sobre o teclado?
1) A realização de que, se o assunto é teologia, 99% do que pode ser dito sobre qualquer coisa já foi dito, e o 1% restante é para mentes muito acima da minha. Sempre tenho medo de, no momento em que eu começar a discutir algum conceito teológico que me parece interessante, ter a aparência de algum primeiro-anista explicando pedantemente o que significa eleição. E, aliás, se as próprias idéias pelas quais sou apaixonado são as que sempre me fascinaram- trindade, cristologia, etc- (e sim, também eleição), o quão diferente sou eu do primeiro-anista exibido?
2) O medo de ser didático. Eu não quero ser educativo no blog. Ensinar já é o que faço todo dia na sala de aula, agora vou ensinar aqui também? Mas falar de teologia já é cair na educação, porque a igreja brasileira é teológicamente analfabeta, e pra discutir qualquer doutrina precisamos antes de mais nada explicar o que ela é. Ou o que ela realmente é. O problema é universal. Quantas vezes o calvinista precisa explicar que perseverança dos santos não significa que se pode viver uma vida moralmente irresponsável? Quantas vezes o católico precisa explicar que venerar os santos não significa adorá-los?
3) O desinteresse em assuntos fora da teologia. O que me assusta é o quanto estou mais interessado na Bíblia e na tradição cristã hoje do que era quando estava no primeiro ano do seminário. A Bíblia se tornou uma espécie de velha amiga, uma companheira de infância com a qual estou tão acostumado, tão conhecedor de suas idiossincracias e tiques, belezas e profunidades discretas. Os nomes que existiam na lousa e nos livros de história da teologia se tornaram heróis e confidentes, leitores de mentes e professores particulares. Agostinho um companheiro de oração, que sabe, assim como eu, o quanto os pecados sussurram "Nunca mais? Você nunca mais terá conosco?" até nos momentos em que mais nos aproximamos de Deus. Irineu um místico sentimental e severo, combinando e mesclando alegorias como se fossem memórias distantes, um pastor forçado a ser apologeta por amor aos seus, um amante forçado a ser guerreiro. Atanásio é o guerreiro nato, um cruzado armado com a espada da Palavra e o escudo da Trindade; e então ele remove sua armadura e maravilha-se, com a meiguice e surpresa de uma noiva, com o amor maravilhoso do Verbo Divino. Calvino, a quem eu odiava tão intensamente como um adolescente que rejeitava sua soteriologia por instinto, e não por qualquer motivo doutrinário- Calvino é meu professor de teologia, que me desafia a discordar, que me inspira pela fome e gosto com que ele mergulha na Bíblia. E em muitos casos- mais do que eu gostaria de admitir- acabo concordando com o velho bode. Barth é como um bom amigo-d0-msn, que ora me faz dar soquinhos no ar de aprovação, ora me deixa acordado de noite imaginando contra-argumentos; Ele é um desgraçado, mas um bom desgraçado. E até os maus desgraçados são bons, apenas pelo prazer de refutá-los mentalmente.
Aqui está o problema: não é que eu não me interesse mais em política ou música ou filmes, é que eu não quero escrever sobre essas coisas. Quero escrever sobre a Bíblia, e sobre a salvação, e sobre a trindade, e sobre as naturezas do Senhor Jesus. Mas se faço isso, serei derivativo- quem sou eu, além da soma de minhas influências?- e pedante. Enfim, um mero professor, um popularizador de tesouros descobertos e catalogados por outros. E isso me desanima, rouba todo meu entusiasmo inicial.
Eu achava que ao final deste post eu acharia uma resposta, algum alívio. Algo interessante, pelo menos, com o qual pudesse encerrar o post. De qualquer forma, é apenas isso que tenho a dizer.
O que me congela os dedos no momento em que os deito sobre o teclado?
1) A realização de que, se o assunto é teologia, 99% do que pode ser dito sobre qualquer coisa já foi dito, e o 1% restante é para mentes muito acima da minha. Sempre tenho medo de, no momento em que eu começar a discutir algum conceito teológico que me parece interessante, ter a aparência de algum primeiro-anista explicando pedantemente o que significa eleição. E, aliás, se as próprias idéias pelas quais sou apaixonado são as que sempre me fascinaram- trindade, cristologia, etc- (e sim, também eleição), o quão diferente sou eu do primeiro-anista exibido?
2) O medo de ser didático. Eu não quero ser educativo no blog. Ensinar já é o que faço todo dia na sala de aula, agora vou ensinar aqui também? Mas falar de teologia já é cair na educação, porque a igreja brasileira é teológicamente analfabeta, e pra discutir qualquer doutrina precisamos antes de mais nada explicar o que ela é. Ou o que ela realmente é. O problema é universal. Quantas vezes o calvinista precisa explicar que perseverança dos santos não significa que se pode viver uma vida moralmente irresponsável? Quantas vezes o católico precisa explicar que venerar os santos não significa adorá-los?
3) O desinteresse em assuntos fora da teologia. O que me assusta é o quanto estou mais interessado na Bíblia e na tradição cristã hoje do que era quando estava no primeiro ano do seminário. A Bíblia se tornou uma espécie de velha amiga, uma companheira de infância com a qual estou tão acostumado, tão conhecedor de suas idiossincracias e tiques, belezas e profunidades discretas. Os nomes que existiam na lousa e nos livros de história da teologia se tornaram heróis e confidentes, leitores de mentes e professores particulares. Agostinho um companheiro de oração, que sabe, assim como eu, o quanto os pecados sussurram "Nunca mais? Você nunca mais terá conosco?" até nos momentos em que mais nos aproximamos de Deus. Irineu um místico sentimental e severo, combinando e mesclando alegorias como se fossem memórias distantes, um pastor forçado a ser apologeta por amor aos seus, um amante forçado a ser guerreiro. Atanásio é o guerreiro nato, um cruzado armado com a espada da Palavra e o escudo da Trindade; e então ele remove sua armadura e maravilha-se, com a meiguice e surpresa de uma noiva, com o amor maravilhoso do Verbo Divino. Calvino, a quem eu odiava tão intensamente como um adolescente que rejeitava sua soteriologia por instinto, e não por qualquer motivo doutrinário- Calvino é meu professor de teologia, que me desafia a discordar, que me inspira pela fome e gosto com que ele mergulha na Bíblia. E em muitos casos- mais do que eu gostaria de admitir- acabo concordando com o velho bode. Barth é como um bom amigo-d0-msn, que ora me faz dar soquinhos no ar de aprovação, ora me deixa acordado de noite imaginando contra-argumentos; Ele é um desgraçado, mas um bom desgraçado. E até os maus desgraçados são bons, apenas pelo prazer de refutá-los mentalmente.
Aqui está o problema: não é que eu não me interesse mais em política ou música ou filmes, é que eu não quero escrever sobre essas coisas. Quero escrever sobre a Bíblia, e sobre a salvação, e sobre a trindade, e sobre as naturezas do Senhor Jesus. Mas se faço isso, serei derivativo- quem sou eu, além da soma de minhas influências?- e pedante. Enfim, um mero professor, um popularizador de tesouros descobertos e catalogados por outros. E isso me desanima, rouba todo meu entusiasmo inicial.
Eu achava que ao final deste post eu acharia uma resposta, algum alívio. Algo interessante, pelo menos, com o qual pudesse encerrar o post. De qualquer forma, é apenas isso que tenho a dizer.
domingo, 6 de setembro de 2009
Love Feast
Saio do silêncio por um momento para anunciar o que o Éber, em sua modéstia, nem quis colocar no blog: ele vai se casar hoje. Parabéns, meu irmão. Que seus filhos sejam viris, e suas filhas castas.
Agora vão pro blog da família do Sr. e Sra. Éber Freitas Dias e comprem muitos presentes para eles.
Agora vão pro blog da família do Sr. e Sra. Éber Freitas Dias e comprem muitos presentes para eles.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Pode um cristão perder a salvação?
O título foi pra rimar! Nem sei se está certo gramaticalmente falando, mas rimou, ficou bonitinho! Bom, começando de verdade, este domingo fui à EBD (sim, a muito tempo que não ia) e rolou um debate sobre o tema "O crente pode perder a salvação? Sim ou Não?" (isso também rima). Eu tentei falar algumas coisas lá e me enrolei todo, então quis escrever aqui pra me redimir e tentar falar o que eu tentei lá de um jeito que seja inteligível!
Logo que o tema foi introduzido eu pensei: será que isso importa? Existem muitos textos bíblicos que validam o ponto de vista que o cristão não pode perder a salvação, e pra mim essa resposta está ok. No final das contas, quem realmente sabe quem é salvo ou não somos nós mesmos e Deus, de forma que na minha cabeça a verdadeira resposta é "tanto faz". Eu acho que o grande problema aqui não é descobrir a resposta mas entender o motivo da pergunta. Qual é a minha real preocupação quando eu faço esse tipo de pergunta?
Eu acho que a gente começa a entender o motivo da pergunta quando pensamos no que é a salvação pra gente. A salvação é uma passaporte para o céu ou uma forma de escapar do inferno? A salvação é um meio ou é um fim? A salvação é um prêmio ou um presente? Talvez, a real pergunta aqui seja "por que eu quis a salvação?". Não sei se eu estou me enrolando tanto quanto na EBD mas o que eu quero dizer é: será que eu quero saber se eu posso perder a salvação por ter feito ou deixado de fazer algo? Será que a minha preocupação é se eu vou ou não vou pro inferno?
Eu acho esse tipo de pensamento muito "egoísta" (eu não sei se é esta a palavra mais correta, mas enfim) uma vez que, aparentemente eu só quero me safar, livrar meu próprio "couro" do fogo eterno do inferno. A minha motivação é o medo e eu quero saber quais regras eu tenho que seguir pra não acabar lá. O João escreveu uma vez sobre como a salvação nos alcança, explicando que nós, por nós mesmos, não somos capazes de alcançá-la. Eu me pergunto, se nós não somos capazes de alcança-la porque seríamos capazes de perdê-la?
Eu, como cristão criado no meio Batista, tive muita dificuldade em entender o conceito de liberdade que Jesus introduziu através da graça derramada por meio da cruz. Eu, de fato, sou livre pra fazer o que eu quiser e o que me pauta nas decisões do dia a dia não é o fato de eu poder, mediante uma atitude ou outra, ir para o céu ou inferno. O que me motiva é o amor que eu sinto por aquele que me ama mais que tudo, que foi capaz de entregar seu próprio filho por mim. O meu desejo pela salvação, hoje, não nasce pela vontade de escapar do inferno. Nasce da vontade de responder ao amor de Deus, mesmo que de forma incompleta e débil.
Logo que o tema foi introduzido eu pensei: será que isso importa? Existem muitos textos bíblicos que validam o ponto de vista que o cristão não pode perder a salvação, e pra mim essa resposta está ok. No final das contas, quem realmente sabe quem é salvo ou não somos nós mesmos e Deus, de forma que na minha cabeça a verdadeira resposta é "tanto faz". Eu acho que o grande problema aqui não é descobrir a resposta mas entender o motivo da pergunta. Qual é a minha real preocupação quando eu faço esse tipo de pergunta?
Eu acho que a gente começa a entender o motivo da pergunta quando pensamos no que é a salvação pra gente. A salvação é uma passaporte para o céu ou uma forma de escapar do inferno? A salvação é um meio ou é um fim? A salvação é um prêmio ou um presente? Talvez, a real pergunta aqui seja "por que eu quis a salvação?". Não sei se eu estou me enrolando tanto quanto na EBD mas o que eu quero dizer é: será que eu quero saber se eu posso perder a salvação por ter feito ou deixado de fazer algo? Será que a minha preocupação é se eu vou ou não vou pro inferno?
Eu acho esse tipo de pensamento muito "egoísta" (eu não sei se é esta a palavra mais correta, mas enfim) uma vez que, aparentemente eu só quero me safar, livrar meu próprio "couro" do fogo eterno do inferno. A minha motivação é o medo e eu quero saber quais regras eu tenho que seguir pra não acabar lá. O João escreveu uma vez sobre como a salvação nos alcança, explicando que nós, por nós mesmos, não somos capazes de alcançá-la. Eu me pergunto, se nós não somos capazes de alcança-la porque seríamos capazes de perdê-la?
Eu, como cristão criado no meio Batista, tive muita dificuldade em entender o conceito de liberdade que Jesus introduziu através da graça derramada por meio da cruz. Eu, de fato, sou livre pra fazer o que eu quiser e o que me pauta nas decisões do dia a dia não é o fato de eu poder, mediante uma atitude ou outra, ir para o céu ou inferno. O que me motiva é o amor que eu sinto por aquele que me ama mais que tudo, que foi capaz de entregar seu próprio filho por mim. O meu desejo pela salvação, hoje, não nasce pela vontade de escapar do inferno. Nasce da vontade de responder ao amor de Deus, mesmo que de forma incompleta e débil.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Feliz Aniversário, Calvino
Quinhentos anos atrás neste dia nasceu João Calvino, o mais malvado (e brilhante) dos reformadores.

Do mais bastardo de seus filhos, feliz aniversário, seu queimador de heréges!
Do mais bastardo de seus filhos, feliz aniversário, seu queimador de heréges!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Suplicantes
O publicano feliz peca, faz
do roubo respeitabilidade.
Seus olhos tudo enxergam com a
astúcia das aves de rapina.
Moedas como figos, dinheiros
como pães, vítimas como filhos,
filhos como bocas. O preço é
traição aos pais, ao sangue do irmão.
Com esposa estrangeira e seus
escravos compatriotas, sua fé
existindo quando há problemas,
Deus existindo para os resolver.
Infeliz peca o fariseu, faz
da noite sua capa, do escuro
seu escudo, do coração o seu
esconderijo. Seus olhos vêem,
pelas lentes da lei, a justiça
impossível: o ódio a si
torna-se logo ódio aos seus,
seus pares e seus inferiores.
"Sente-se aos meus pés e aprenda
justiça, satisfaça o juiz."
O juiz que ele odeia, o
Deus que existe para condenar.
O publicano, honesto em sua
desonestidade, com lágrimas
implora o perdão da semana.
O fariseu, mentindo para Deus
tanto quanto a si mesmo, gaba
de sua justiça inexistente.
O juiz ouve um e ignora
o outro. Ao publicano perdão,
ao fariseu seu silêncio. Deus!
Tenha piedade do fariseu;
A gabolice do santo também
pode ser um gemido por graça.
do roubo respeitabilidade.
Seus olhos tudo enxergam com a
astúcia das aves de rapina.
Moedas como figos, dinheiros
como pães, vítimas como filhos,
filhos como bocas. O preço é
traição aos pais, ao sangue do irmão.
Com esposa estrangeira e seus
escravos compatriotas, sua fé
existindo quando há problemas,
Deus existindo para os resolver.
Infeliz peca o fariseu, faz
da noite sua capa, do escuro
seu escudo, do coração o seu
esconderijo. Seus olhos vêem,
pelas lentes da lei, a justiça
impossível: o ódio a si
torna-se logo ódio aos seus,
seus pares e seus inferiores.
"Sente-se aos meus pés e aprenda
justiça, satisfaça o juiz."
O juiz que ele odeia, o
Deus que existe para condenar.
O publicano, honesto em sua
desonestidade, com lágrimas
implora o perdão da semana.
O fariseu, mentindo para Deus
tanto quanto a si mesmo, gaba
de sua justiça inexistente.
O juiz ouve um e ignora
o outro. Ao publicano perdão,
ao fariseu seu silêncio. Deus!
Tenha piedade do fariseu;
A gabolice do santo também
pode ser um gemido por graça.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Apareça
O João, com o post abaixo, até me convenceu a dar sinal de vida. Aproveito a inesperada aparição para explicar meu silêncio neste blogue. Silenciei-me aqui, em primeiro lugar, por não ser este um lugar dedicado a ninharias, que é tudo com que tenho ocupado meu tempo, nem tão precioso assim. Depois, como sou incapaz de acompanhar a graça do João, a profundidade do Igor e a atualidade do Éber, acabo me pondo de lado, lutando por passar despercebido, como o garoto que chega de pochete numa festa repleta de gente descolada. (Falo sério.) Tudo isso para concluir que o João é que não deveria se ausentar por tanto tempo. Pois é a ele que a imensa massa de leitores quer ver, não a nós, não a mim, simples coadjuvante. A verdade é que gostamos de lê-lo, homem. Apareça.
terça-feira, 7 de julho de 2009
You Ain't Going Nowhere
O que era para ser uma pausa de dois dias entre um post e outro (guardei um texto para postar mais tarde, e acabei deletando-o por acidente) se tornou o quê, uns oito mêses sem postar?
Não, este não é um post de adeus, não vou fechar esse blog. Estou decidido a nunca mais fechar um blog, porque já exauri minha cota de blogs para serem fechados arbitrariamente. Já chega, gosto daqui, gosto do nome, gosto dos meus companheiros, apesar do fato de que eles também (excetuando Éber, o fiel, o grande) abandonaram este lugar. Strap yourself to a tree with roots, you ain't going nowhere.
Porém: este não é um post de "Olá, aqui estou de novo!" Estou sem ânimo para escrever. Escrever já foi tão fácil, e agora as palavras são pesos mortos que tenho que arrastar para cima e para baixo. O trabalho roubou minha alegria de prazeres criativos; agora todas as minhas diversões são receptivas- são a televisão de noite, a música no carro, audiobooks em meu mp3, livros na cama.
Este é apenas um olá. Tenho saudade de ter um lugarzinho na internet, um ponto para expor minhas tolices. Mas não o suficiente para escrever regularmente, para sentir aquela obrigação chata na minha cabeça, "Já são quatro dias, oito dias, vinte dias, noventa dias desde que você postou nada. Escreve lá alguma coisa". Meu talento é raso, minha voz é medíocre, eu não sei escrever. Então é isso. Não é um olá, não é um adeus. É um até logo. Até o ano que vem, ou até a semana que vem. Só Deus sabe.
Não, este não é um post de adeus, não vou fechar esse blog. Estou decidido a nunca mais fechar um blog, porque já exauri minha cota de blogs para serem fechados arbitrariamente. Já chega, gosto daqui, gosto do nome, gosto dos meus companheiros, apesar do fato de que eles também (excetuando Éber, o fiel, o grande) abandonaram este lugar. Strap yourself to a tree with roots, you ain't going nowhere.
Porém: este não é um post de "Olá, aqui estou de novo!" Estou sem ânimo para escrever. Escrever já foi tão fácil, e agora as palavras são pesos mortos que tenho que arrastar para cima e para baixo. O trabalho roubou minha alegria de prazeres criativos; agora todas as minhas diversões são receptivas- são a televisão de noite, a música no carro, audiobooks em meu mp3, livros na cama.
Este é apenas um olá. Tenho saudade de ter um lugarzinho na internet, um ponto para expor minhas tolices. Mas não o suficiente para escrever regularmente, para sentir aquela obrigação chata na minha cabeça, "Já são quatro dias, oito dias, vinte dias, noventa dias desde que você postou nada. Escreve lá alguma coisa". Meu talento é raso, minha voz é medíocre, eu não sei escrever. Então é isso. Não é um olá, não é um adeus. É um até logo. Até o ano que vem, ou até a semana que vem. Só Deus sabe.
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