João Santos: Ah rapaz, todo mundo já está casado ou casando
o Éber já vai casar, o Nagel casou
e seu filho nasceu bem depois de eu conhecê-lo, sua vida de homem sério já antedata nossa amizade
só sobrou um que ainda não dobrou joelho a Baal
Igor Barbosa: sim, apenas um de pé na fornalha ardente.
João: É melhor casar do que queimar *
ou, como já li- e achei a tradução mais caliente- "melhor casar do que viver abrasado"
Igor: sim. quando vc for pedir uma chica em casamento leve um cigarro aceso.
se ela recusar, queime-a e diga que é melhor casar que viver queimando
João: "Melhor casar do que viver queimando"
melhor slogan para converter gays ever
mas hey, eu nem poderia fazer isso em São Paulo
porque passaram a abominável lei antifumo
e agora é proibido fumar em bares e restaurantes
daqui a pouco vai ser proibido beber e conversar também
Igor: em SP, até São Paulo é desenhado como um gay - vc me mostrou isso.**
João: é a institucionalização da pussíce, "the pussification of the american male" descrita pelo G. Carlin
que já se extende aos seus companheiros latinos
Igor: o macho paulistano já era bem pussificado, a ponto de votar no Serra sabendo que era disso que ele gostava
João: O Serra é gay também?
Igor: não, não quis dizer isso
se bem q, né. não estranharia
só quis dizer que o Serra sempre anunciou que pretende proibir o fumo até em marte, se deixarem
João: bleh
Igor: hombre, eles proibiram até as coxinhas nas cantinas das escolas
João: COXINHA? PROIBIDA?
Igor: sim. no sabes?
João: que bastardos!
Igor: frituras
certos doces, também - cintia me lembrou dos chiclets
lembre disso: se for mandar seu filho estudar em SP, ele não vai poder comer uma coxinha no recreio
nem um risole, nem um kibe
as crianças serão criadas entre granolas, ovos cozidos, pão integral com queijo minas e iogurte
João: e nem poderão fumar no portão da escola
Igor: mas se quiserem, há camisinhas gratuitas na maquininha.
BOA, GOVERNO
João: High-five, estado!
Igor: VALEU, REPÚBLICA! CHUPA, DOM PEDRO II!
João: meh. é o que já dizia o apóstolo João: o mundo jaz no maligno.
E lembrei agora aquela nossa velha discussão sobre política no PC, hehe.***
Igor: é pq eu sou o Jackson de Figueiredo
se há buracos nas ruas, culpa da república.
se o governo proibe coxinhas e estimula sexo casual sodomita seguido de gravidez e aborto com aids entre adolescentes, maldita república
se eu tenho uma dor de cabeça, volta, Princesa Isabel!
João: hehehe
Ela pelo menos libertou os escravos
o que Serra já fez?
Igor: já libertou os próprios cabelos de viverem perto de seu cérebro MALÍGUINO
João: HAHAHAHA
Viva as piadas de careca!
(pelo menos até que eu vire mais um maldito calvo)
(estou ficando careca, mi hermano. já sinto em minh'alma)
Igor: vc sempre pode comprar uma peruca
ou viena hair.
ou trocar de nome para "IOHANNIS CALVINUS, MESTRE EM CIÊNCIAS TEOLÓGICAS"
bem original
João: Calvino, o anti-calvinista
that has a nice ring to it.
_____________________________
* 1 Coríntios 7:9
** Oh yes. É verdade.
*** Discussão na qual o Igor, talvez pelo prazer de me irritar, defendeu a monarquia e o voto nulo, e chamou o C.S. Lewis de escritor de segunda linha. Se quiserem ler os posts, cliquem no tag "política idiota" que vocês os acharão lá.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Até que o papa morra
João Santos: mas rapaz,
você sabia que o mapa que aprendemos na escola
está completamente errado?
Igor Barbosa: desconfiava.
algum indício mais óbvio?
João: aparentemente ele foi desenhado por imperialistas eurocentricos que buscavam encolher os países do terceiro mundo
e aumentar o tamanha dasorópa
Igor: HAHAHAHAHAHA
João: essa foi minha reação inicial também
até que... see for yourself
http://en.wikipedia.org/wiki/Mercator_projection
esse é o mapa tradicional
Igor: ah, a projeção de mercator
João: esse seria um mapa mais correto:
http://en.wikipedia.org/wiki/Gall-Peters_projection
confira o tamanho monstruoso da África e da América do Sul
o Brasil tá maior que a China nesse mapa
Igor: "The Gall-Peters achieved considerable notoriety in the late 20th century as the centerpiece of a controversy surrounding the political implications of map design"
João: sim
Igor: parabéns, Descartes, você venceu
João: a questão é que o mapa Mercator infla o tamanho de terras para o norte e sul do equador enquanto no mapa maluco (o segundo) o tamanho de cada continente representa sua área real, sem distorções
pelo menos é o que diz a wikipedia
e a wikipedia nunca mente.
Igor: isto é um argumento.
João: se tivessem redesenhado o mapa
e dissessem "Hey, pessoal, parece que estivemos errados esse tempo todo! ha ha! Que loucura!"
não causaria confusão
o que causa confusão é...
well, vou citar aqui pra você o que a wikipedia diz
"The Mercator projection increasingly inflates the sizes of regions according to their distance from the equator. This inflation results, for example, in a representation of Greenland that is larger than Africa, whereas in reality Africa is 14 times as large. Since much of the technologically underdeveloped world lies near the equator, these countries appear smaller on a Mercator, and therefore, according to Peters, seem less significant. On Peters's projection, by contrast, areas of equal size on the globe are also equally sized on the map. By using his "new" projection, poorer, less powerful nations could be restored to their rightful proportions."
Igor: mas isso é um fato conhecido, que é impossível projetar uma esfera num plano com completa precisão
João: O que o mapa diz é "Tá vendo como você é minúscula, sua Europa prepotente??? CURVE-SE PERANTE THE MIGHTY WRATH OF AFRICA."
Igor: não só temos pênis maiores, nossas nações são maiores também
João: mas hey! isso significa que o Brasil é maior também
uhu!
Igor: por justiça, nosso time de futebol tem que entrar com 14 jogadores na próxima copa do mundo
João: amém
aliás, onde está nossa cadeira no Conselho de Segurança da ONU?
somos maiores que a China e os EUA! Somos quase do tamanho da Rússia!
Igor: vamos pegar os EUA na saída podemos roubar o lanche da europa inteira
João: hehehehe
Que século chinês o quê
a próxima mega-potência será o BRASIL
nossos deputados roubarão verbas para a construção de escolas NA AUSTRÁLIA
Antônio Carlos Magalhães VI vendeu segredos nucleares em troca de quatro concessões de rádio na Bahia!
o presidente do senado foi acusado de incitar guerras civis na Europa central!
Senhor Jesus, proteja o mundo de um dia o Brasil adquirir qualquer medida de poder.
Igor: Nah. Esta grande nação católica liderará o mundo no alvorecer da nova Cristandade
ou isso, ou o mundo inteiro dançará o tchan embaixo das cimitarras muçulmanas
mas isso eu digo: se sobrevivermos aos muçulmanos, o Brasil liderará a reconquista e a nova cristandade
João: Melhor ainda: a maior população pentecostal do planeta (hey, that's us!) fará do mundo sua paróquia
sim, eu sei que usei uma expressão metodista para descrever nossa conquista do globo
mas what the hell, somos cria dos metodistas mesmo
John Wesley influenciou, sozinho, a teologia das igrejas pentecostais mais do que qualquer autor pentecostal, vivo ou morto
Igor: hey, até que o papa morra e outro não assuma
o termo "paróquia" é de origem católica
João: sim, sim, eu sei.
hehe.
você sabia que o mapa que aprendemos na escola
está completamente errado?
Igor Barbosa: desconfiava.
algum indício mais óbvio?
João: aparentemente ele foi desenhado por imperialistas eurocentricos que buscavam encolher os países do terceiro mundo
e aumentar o tamanha dasorópa
Igor: HAHAHAHAHAHA
João: essa foi minha reação inicial também
até que... see for yourself
http://en.wikipedia.org/wiki/Mercator_projection
esse é o mapa tradicional
Igor: ah, a projeção de mercator
João: esse seria um mapa mais correto:
http://en.wikipedia.org/wiki/Gall-Peters_projection
confira o tamanho monstruoso da África e da América do Sul
o Brasil tá maior que a China nesse mapa
Igor: "The Gall-Peters achieved considerable notoriety in the late 20th century as the centerpiece of a controversy surrounding the political implications of map design"
João: sim
Igor: parabéns, Descartes, você venceu
João: a questão é que o mapa Mercator infla o tamanho de terras para o norte e sul do equador enquanto no mapa maluco (o segundo) o tamanho de cada continente representa sua área real, sem distorções
pelo menos é o que diz a wikipedia
e a wikipedia nunca mente.
Igor: isto é um argumento.
João: se tivessem redesenhado o mapa
e dissessem "Hey, pessoal, parece que estivemos errados esse tempo todo! ha ha! Que loucura!"
não causaria confusão
o que causa confusão é...
well, vou citar aqui pra você o que a wikipedia diz
"The Mercator projection increasingly inflates the sizes of regions according to their distance from the equator. This inflation results, for example, in a representation of Greenland that is larger than Africa, whereas in reality Africa is 14 times as large. Since much of the technologically underdeveloped world lies near the equator, these countries appear smaller on a Mercator, and therefore, according to Peters, seem less significant. On Peters's projection, by contrast, areas of equal size on the globe are also equally sized on the map. By using his "new" projection, poorer, less powerful nations could be restored to their rightful proportions."
Igor: mas isso é um fato conhecido, que é impossível projetar uma esfera num plano com completa precisão
João: O que o mapa diz é "Tá vendo como você é minúscula, sua Europa prepotente??? CURVE-SE PERANTE THE MIGHTY WRATH OF AFRICA."
Igor: não só temos pênis maiores, nossas nações são maiores também
João: mas hey! isso significa que o Brasil é maior também
uhu!
Igor: por justiça, nosso time de futebol tem que entrar com 14 jogadores na próxima copa do mundo
João: amém
aliás, onde está nossa cadeira no Conselho de Segurança da ONU?
somos maiores que a China e os EUA! Somos quase do tamanho da Rússia!
Igor: vamos pegar os EUA na saída podemos roubar o lanche da europa inteira
João: hehehehe
Que século chinês o quê
a próxima mega-potência será o BRASIL
nossos deputados roubarão verbas para a construção de escolas NA AUSTRÁLIA
Antônio Carlos Magalhães VI vendeu segredos nucleares em troca de quatro concessões de rádio na Bahia!
o presidente do senado foi acusado de incitar guerras civis na Europa central!
Senhor Jesus, proteja o mundo de um dia o Brasil adquirir qualquer medida de poder.
Igor: Nah. Esta grande nação católica liderará o mundo no alvorecer da nova Cristandade
ou isso, ou o mundo inteiro dançará o tchan embaixo das cimitarras muçulmanas
mas isso eu digo: se sobrevivermos aos muçulmanos, o Brasil liderará a reconquista e a nova cristandade
João: Melhor ainda: a maior população pentecostal do planeta (hey, that's us!) fará do mundo sua paróquia
sim, eu sei que usei uma expressão metodista para descrever nossa conquista do globo
mas what the hell, somos cria dos metodistas mesmo
John Wesley influenciou, sozinho, a teologia das igrejas pentecostais mais do que qualquer autor pentecostal, vivo ou morto
Igor: hey, até que o papa morra e outro não assuma
o termo "paróquia" é de origem católica
João: sim, sim, eu sei.
hehe.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
A teologia é para todos?
Not to every one, my friends, does it belong to philosophize about God; not to every one; the Subject is not so cheap and low; and I will add, not before every audience, nor at all times, nor on all points; but on certain occasions, and before certain persons, and within certain limits.
Not to all men, because it is permitted only to those who have been examined, and are passed masters in meditation, and who have been previously purified in soul and body, or at the very least are being purified. For the impure to touch the pure is, we may safely say, not safe, just as it is unsafe to fix weak eyes upon the sun's rays. And what is the permitted occasion? It is when we are free from all external defilement or disturbance, and when that which rules within us is not confused with vexatious or erring images; like persons mixing up good writing with bad, or filth with the sweet odours of ointments. For it is necessary to be truly at leisure to know God; and when we can get a convenient season, to discern the straight road of the things divine. And who are the permitted persons? They to whom the subject is of real concern, and not they who make it a matter of pleasant gossip, like any other thing, after the races, or the theatre, or a concert, or a dinner, or still lower employments. To such men as these, idle jests and pretty contradictions about these subjects are a part of their amusement.
O trechinho acima é do Gregório Nazianzeno; estou preguiçoso demais para traduzir agora, e a tradução inglesa é tão mais elegante do que qualquer tradução que eu faça por aqui. Mas eis uma pergunta válida: há qualquer proveito em discutir Deus e as coisas de Deus com pessoas que levam tudo na frivolidade?
E é curioso que Gregório desencoraje os frívolos de especularem a respeito de Deus não para preservar a doutrina correta, mas para proteger os próprios desrespeitosos do poder daquilo que eles tratam tão casualmente. Gregório vira a idéia de Mateus 7:6 de ponta-cabeça: pérolas não devem ser lançadas aos porcos- não porque os porcos as esmagarão com suas patas, mas porque há o risco dos porquinhos engasgarem nelas.
Not to all men, because it is permitted only to those who have been examined, and are passed masters in meditation, and who have been previously purified in soul and body, or at the very least are being purified. For the impure to touch the pure is, we may safely say, not safe, just as it is unsafe to fix weak eyes upon the sun's rays. And what is the permitted occasion? It is when we are free from all external defilement or disturbance, and when that which rules within us is not confused with vexatious or erring images; like persons mixing up good writing with bad, or filth with the sweet odours of ointments. For it is necessary to be truly at leisure to know God; and when we can get a convenient season, to discern the straight road of the things divine. And who are the permitted persons? They to whom the subject is of real concern, and not they who make it a matter of pleasant gossip, like any other thing, after the races, or the theatre, or a concert, or a dinner, or still lower employments. To such men as these, idle jests and pretty contradictions about these subjects are a part of their amusement.
O trechinho acima é do Gregório Nazianzeno; estou preguiçoso demais para traduzir agora, e a tradução inglesa é tão mais elegante do que qualquer tradução que eu faça por aqui. Mas eis uma pergunta válida: há qualquer proveito em discutir Deus e as coisas de Deus com pessoas que levam tudo na frivolidade?
E é curioso que Gregório desencoraje os frívolos de especularem a respeito de Deus não para preservar a doutrina correta, mas para proteger os próprios desrespeitosos do poder daquilo que eles tratam tão casualmente. Gregório vira a idéia de Mateus 7:6 de ponta-cabeça: pérolas não devem ser lançadas aos porcos- não porque os porcos as esmagarão com suas patas, mas porque há o risco dos porquinhos engasgarem nelas.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Da Vergonha de Ser Evangélico
Este post do Augustus Nicodemus e uma conversa de ontem com a Laila me fizeram pensar das vezes em que já senti vergonha de ser evangélico. São tantas coisas que provocam esse sentimento. As calhordices dos bispos e apóstolos cujas ovelhas existem apenas para a tosqueia. O anti-intelectualismo que glorifica a burrice barulhenta. Os evangelistas e cantores cujo status de superstar dentro das igrejas denuncia nossa ignorância e vulgaridade. A chatice de nossa música, nossos romances, nossos filmes, que tão raramente demonstram qualquer vestígio de brilho ou originalidade, mas são apenas cópias de cópias de arte secular- e má arte secular. A banda que é o Blink-182 evangélico; o Calcinha Preta gospel; os funkeiros da fé.
O problema é que mesmo enquanto enrubescemos de vergonha com as safadezas e cretinices do mundo evangélico, estamos engolindo a mentira de que ser evangélico é isso que os apóstolos e as bispas e os baderneiros representam. E não é. O problema é que nós deixamos os falsos pastores e os vendedores da fé se posicionarem na sociedade como os porta-vozes do mundo evangélico. Nós- com nossa ausência, nossa apatia, nossa falta de vontade de colocar a cara para bater- deixamos que a moeda falsa passasse por verdadeira, e que essa corja desonesta se fizesse o rosto do evangelicalismo brasileiro.
Daí vem os iluminados, os sábios entre nós que, no desespero de serem confundidos com a turba burra, já vão esclarecendo que não são evangélicos. Esses batistas, assembleianos, presbiterianos, metodistas tropeçando um sobre o outro na pressa de dizer que evangélicos são os outros. Eu não sou evangélico, sou seguidor de Cristo. Eu não sou evangélico, sou reformado. Eu não sou evangélico, sou protestante. Eu não sou evangélico, sou cristão. Já abandonamos o termo "crente"- qual foi a última vez que você ouviu alguém dizer, em público, "Eu sou crente"?- e agora estamos abandonando o termo evangélico, para não sermos jogados no mesmo balaio que os neopentecostais. Trememos de medo da reprovação alheia, dos olhares de zombaria, das perguntas do tipo "Mas você não acredita realmente que _______, acredita?"
É um ciclo. A liderança cínica de algumas igrejas propaga algum absurdo, nós escondemos num cantinho com vergonha, disfarçamos que não somos evangélicos- e você não me engana, seu batista que acha que beber cerveja é pecado, você É evangélico- e os charlatães consolidam-se como as vozes mais conhecidas (e logo, se não tomarmos cuidado, serão as únicas vozes) do evangelicalismo no discurso público.
Já chega. Estamos cansados de sobrar pra nós- crentes sérios, tolerantes, amantes de Deus, servos da Palavra- quando esses ladrões aprontam? Então vamos abrir a boca. Vamos confrontar essas pessoas, vamos expor seus enganos, vamos mostrar que ser evangélico não significa ser um idiota. Vamos dar uma surra de Bíblia nesse povo. Vamos mostrar que arte crente não precisa ser- ora raios, nunca deveria ter sido- derivativa. Vamos boicotar a marcha pra Jesus.
E vamos nos chamar, sim, de evangélicos. De crentes. E dessa vez, sem vergonha.
O problema é que mesmo enquanto enrubescemos de vergonha com as safadezas e cretinices do mundo evangélico, estamos engolindo a mentira de que ser evangélico é isso que os apóstolos e as bispas e os baderneiros representam. E não é. O problema é que nós deixamos os falsos pastores e os vendedores da fé se posicionarem na sociedade como os porta-vozes do mundo evangélico. Nós- com nossa ausência, nossa apatia, nossa falta de vontade de colocar a cara para bater- deixamos que a moeda falsa passasse por verdadeira, e que essa corja desonesta se fizesse o rosto do evangelicalismo brasileiro.
Daí vem os iluminados, os sábios entre nós que, no desespero de serem confundidos com a turba burra, já vão esclarecendo que não são evangélicos. Esses batistas, assembleianos, presbiterianos, metodistas tropeçando um sobre o outro na pressa de dizer que evangélicos são os outros. Eu não sou evangélico, sou seguidor de Cristo. Eu não sou evangélico, sou reformado. Eu não sou evangélico, sou protestante. Eu não sou evangélico, sou cristão. Já abandonamos o termo "crente"- qual foi a última vez que você ouviu alguém dizer, em público, "Eu sou crente"?- e agora estamos abandonando o termo evangélico, para não sermos jogados no mesmo balaio que os neopentecostais. Trememos de medo da reprovação alheia, dos olhares de zombaria, das perguntas do tipo "Mas você não acredita realmente que _______, acredita?"
É um ciclo. A liderança cínica de algumas igrejas propaga algum absurdo, nós escondemos num cantinho com vergonha, disfarçamos que não somos evangélicos- e você não me engana, seu batista que acha que beber cerveja é pecado, você É evangélico- e os charlatães consolidam-se como as vozes mais conhecidas (e logo, se não tomarmos cuidado, serão as únicas vozes) do evangelicalismo no discurso público.
Já chega. Estamos cansados de sobrar pra nós- crentes sérios, tolerantes, amantes de Deus, servos da Palavra- quando esses ladrões aprontam? Então vamos abrir a boca. Vamos confrontar essas pessoas, vamos expor seus enganos, vamos mostrar que ser evangélico não significa ser um idiota. Vamos dar uma surra de Bíblia nesse povo. Vamos mostrar que arte crente não precisa ser- ora raios, nunca deveria ter sido- derivativa. Vamos boicotar a marcha pra Jesus.
E vamos nos chamar, sim, de evangélicos. De crentes. E dessa vez, sem vergonha.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
O problema
Estive me perguntando porque tenho tanta dificuldade para escrever nesse blog. Quem sabe se eu expor os motivos em consigo exorcizá-los.
O que me congela os dedos no momento em que os deito sobre o teclado?
1) A realização de que, se o assunto é teologia, 99% do que pode ser dito sobre qualquer coisa já foi dito, e o 1% restante é para mentes muito acima da minha. Sempre tenho medo de, no momento em que eu começar a discutir algum conceito teológico que me parece interessante, ter a aparência de algum primeiro-anista explicando pedantemente o que significa eleição. E, aliás, se as próprias idéias pelas quais sou apaixonado são as que sempre me fascinaram- trindade, cristologia, etc- (e sim, também eleição), o quão diferente sou eu do primeiro-anista exibido?
2) O medo de ser didático. Eu não quero ser educativo no blog. Ensinar já é o que faço todo dia na sala de aula, agora vou ensinar aqui também? Mas falar de teologia já é cair na educação, porque a igreja brasileira é teológicamente analfabeta, e pra discutir qualquer doutrina precisamos antes de mais nada explicar o que ela é. Ou o que ela realmente é. O problema é universal. Quantas vezes o calvinista precisa explicar que perseverança dos santos não significa que se pode viver uma vida moralmente irresponsável? Quantas vezes o católico precisa explicar que venerar os santos não significa adorá-los?
3) O desinteresse em assuntos fora da teologia. O que me assusta é o quanto estou mais interessado na Bíblia e na tradição cristã hoje do que era quando estava no primeiro ano do seminário. A Bíblia se tornou uma espécie de velha amiga, uma companheira de infância com a qual estou tão acostumado, tão conhecedor de suas idiossincracias e tiques, belezas e profunidades discretas. Os nomes que existiam na lousa e nos livros de história da teologia se tornaram heróis e confidentes, leitores de mentes e professores particulares. Agostinho um companheiro de oração, que sabe, assim como eu, o quanto os pecados sussurram "Nunca mais? Você nunca mais terá conosco?" até nos momentos em que mais nos aproximamos de Deus. Irineu um místico sentimental e severo, combinando e mesclando alegorias como se fossem memórias distantes, um pastor forçado a ser apologeta por amor aos seus, um amante forçado a ser guerreiro. Atanásio é o guerreiro nato, um cruzado armado com a espada da Palavra e o escudo da Trindade; e então ele remove sua armadura e maravilha-se, com a meiguice e surpresa de uma noiva, com o amor maravilhoso do Verbo Divino. Calvino, a quem eu odiava tão intensamente como um adolescente que rejeitava sua soteriologia por instinto, e não por qualquer motivo doutrinário- Calvino é meu professor de teologia, que me desafia a discordar, que me inspira pela fome e gosto com que ele mergulha na Bíblia. E em muitos casos- mais do que eu gostaria de admitir- acabo concordando com o velho bode. Barth é como um bom amigo-d0-msn, que ora me faz dar soquinhos no ar de aprovação, ora me deixa acordado de noite imaginando contra-argumentos; Ele é um desgraçado, mas um bom desgraçado. E até os maus desgraçados são bons, apenas pelo prazer de refutá-los mentalmente.
Aqui está o problema: não é que eu não me interesse mais em política ou música ou filmes, é que eu não quero escrever sobre essas coisas. Quero escrever sobre a Bíblia, e sobre a salvação, e sobre a trindade, e sobre as naturezas do Senhor Jesus. Mas se faço isso, serei derivativo- quem sou eu, além da soma de minhas influências?- e pedante. Enfim, um mero professor, um popularizador de tesouros descobertos e catalogados por outros. E isso me desanima, rouba todo meu entusiasmo inicial.
Eu achava que ao final deste post eu acharia uma resposta, algum alívio. Algo interessante, pelo menos, com o qual pudesse encerrar o post. De qualquer forma, é apenas isso que tenho a dizer.
O que me congela os dedos no momento em que os deito sobre o teclado?
1) A realização de que, se o assunto é teologia, 99% do que pode ser dito sobre qualquer coisa já foi dito, e o 1% restante é para mentes muito acima da minha. Sempre tenho medo de, no momento em que eu começar a discutir algum conceito teológico que me parece interessante, ter a aparência de algum primeiro-anista explicando pedantemente o que significa eleição. E, aliás, se as próprias idéias pelas quais sou apaixonado são as que sempre me fascinaram- trindade, cristologia, etc- (e sim, também eleição), o quão diferente sou eu do primeiro-anista exibido?
2) O medo de ser didático. Eu não quero ser educativo no blog. Ensinar já é o que faço todo dia na sala de aula, agora vou ensinar aqui também? Mas falar de teologia já é cair na educação, porque a igreja brasileira é teológicamente analfabeta, e pra discutir qualquer doutrina precisamos antes de mais nada explicar o que ela é. Ou o que ela realmente é. O problema é universal. Quantas vezes o calvinista precisa explicar que perseverança dos santos não significa que se pode viver uma vida moralmente irresponsável? Quantas vezes o católico precisa explicar que venerar os santos não significa adorá-los?
3) O desinteresse em assuntos fora da teologia. O que me assusta é o quanto estou mais interessado na Bíblia e na tradição cristã hoje do que era quando estava no primeiro ano do seminário. A Bíblia se tornou uma espécie de velha amiga, uma companheira de infância com a qual estou tão acostumado, tão conhecedor de suas idiossincracias e tiques, belezas e profunidades discretas. Os nomes que existiam na lousa e nos livros de história da teologia se tornaram heróis e confidentes, leitores de mentes e professores particulares. Agostinho um companheiro de oração, que sabe, assim como eu, o quanto os pecados sussurram "Nunca mais? Você nunca mais terá conosco?" até nos momentos em que mais nos aproximamos de Deus. Irineu um místico sentimental e severo, combinando e mesclando alegorias como se fossem memórias distantes, um pastor forçado a ser apologeta por amor aos seus, um amante forçado a ser guerreiro. Atanásio é o guerreiro nato, um cruzado armado com a espada da Palavra e o escudo da Trindade; e então ele remove sua armadura e maravilha-se, com a meiguice e surpresa de uma noiva, com o amor maravilhoso do Verbo Divino. Calvino, a quem eu odiava tão intensamente como um adolescente que rejeitava sua soteriologia por instinto, e não por qualquer motivo doutrinário- Calvino é meu professor de teologia, que me desafia a discordar, que me inspira pela fome e gosto com que ele mergulha na Bíblia. E em muitos casos- mais do que eu gostaria de admitir- acabo concordando com o velho bode. Barth é como um bom amigo-d0-msn, que ora me faz dar soquinhos no ar de aprovação, ora me deixa acordado de noite imaginando contra-argumentos; Ele é um desgraçado, mas um bom desgraçado. E até os maus desgraçados são bons, apenas pelo prazer de refutá-los mentalmente.
Aqui está o problema: não é que eu não me interesse mais em política ou música ou filmes, é que eu não quero escrever sobre essas coisas. Quero escrever sobre a Bíblia, e sobre a salvação, e sobre a trindade, e sobre as naturezas do Senhor Jesus. Mas se faço isso, serei derivativo- quem sou eu, além da soma de minhas influências?- e pedante. Enfim, um mero professor, um popularizador de tesouros descobertos e catalogados por outros. E isso me desanima, rouba todo meu entusiasmo inicial.
Eu achava que ao final deste post eu acharia uma resposta, algum alívio. Algo interessante, pelo menos, com o qual pudesse encerrar o post. De qualquer forma, é apenas isso que tenho a dizer.
domingo, 6 de setembro de 2009
Love Feast
Saio do silêncio por um momento para anunciar o que o Éber, em sua modéstia, nem quis colocar no blog: ele vai se casar hoje. Parabéns, meu irmão. Que seus filhos sejam viris, e suas filhas castas.
Agora vão pro blog da família do Sr. e Sra. Éber Freitas Dias e comprem muitos presentes para eles.
Agora vão pro blog da família do Sr. e Sra. Éber Freitas Dias e comprem muitos presentes para eles.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Pode um cristão perder a salvação?
O título foi pra rimar! Nem sei se está certo gramaticalmente falando, mas rimou, ficou bonitinho! Bom, começando de verdade, este domingo fui à EBD (sim, a muito tempo que não ia) e rolou um debate sobre o tema "O crente pode perder a salvação? Sim ou Não?" (isso também rima). Eu tentei falar algumas coisas lá e me enrolei todo, então quis escrever aqui pra me redimir e tentar falar o que eu tentei lá de um jeito que seja inteligível!
Logo que o tema foi introduzido eu pensei: será que isso importa? Existem muitos textos bíblicos que validam o ponto de vista que o cristão não pode perder a salvação, e pra mim essa resposta está ok. No final das contas, quem realmente sabe quem é salvo ou não somos nós mesmos e Deus, de forma que na minha cabeça a verdadeira resposta é "tanto faz". Eu acho que o grande problema aqui não é descobrir a resposta mas entender o motivo da pergunta. Qual é a minha real preocupação quando eu faço esse tipo de pergunta?
Eu acho que a gente começa a entender o motivo da pergunta quando pensamos no que é a salvação pra gente. A salvação é uma passaporte para o céu ou uma forma de escapar do inferno? A salvação é um meio ou é um fim? A salvação é um prêmio ou um presente? Talvez, a real pergunta aqui seja "por que eu quis a salvação?". Não sei se eu estou me enrolando tanto quanto na EBD mas o que eu quero dizer é: será que eu quero saber se eu posso perder a salvação por ter feito ou deixado de fazer algo? Será que a minha preocupação é se eu vou ou não vou pro inferno?
Eu acho esse tipo de pensamento muito "egoísta" (eu não sei se é esta a palavra mais correta, mas enfim) uma vez que, aparentemente eu só quero me safar, livrar meu próprio "couro" do fogo eterno do inferno. A minha motivação é o medo e eu quero saber quais regras eu tenho que seguir pra não acabar lá. O João escreveu uma vez sobre como a salvação nos alcança, explicando que nós, por nós mesmos, não somos capazes de alcançá-la. Eu me pergunto, se nós não somos capazes de alcança-la porque seríamos capazes de perdê-la?
Eu, como cristão criado no meio Batista, tive muita dificuldade em entender o conceito de liberdade que Jesus introduziu através da graça derramada por meio da cruz. Eu, de fato, sou livre pra fazer o que eu quiser e o que me pauta nas decisões do dia a dia não é o fato de eu poder, mediante uma atitude ou outra, ir para o céu ou inferno. O que me motiva é o amor que eu sinto por aquele que me ama mais que tudo, que foi capaz de entregar seu próprio filho por mim. O meu desejo pela salvação, hoje, não nasce pela vontade de escapar do inferno. Nasce da vontade de responder ao amor de Deus, mesmo que de forma incompleta e débil.
Logo que o tema foi introduzido eu pensei: será que isso importa? Existem muitos textos bíblicos que validam o ponto de vista que o cristão não pode perder a salvação, e pra mim essa resposta está ok. No final das contas, quem realmente sabe quem é salvo ou não somos nós mesmos e Deus, de forma que na minha cabeça a verdadeira resposta é "tanto faz". Eu acho que o grande problema aqui não é descobrir a resposta mas entender o motivo da pergunta. Qual é a minha real preocupação quando eu faço esse tipo de pergunta?
Eu acho que a gente começa a entender o motivo da pergunta quando pensamos no que é a salvação pra gente. A salvação é uma passaporte para o céu ou uma forma de escapar do inferno? A salvação é um meio ou é um fim? A salvação é um prêmio ou um presente? Talvez, a real pergunta aqui seja "por que eu quis a salvação?". Não sei se eu estou me enrolando tanto quanto na EBD mas o que eu quero dizer é: será que eu quero saber se eu posso perder a salvação por ter feito ou deixado de fazer algo? Será que a minha preocupação é se eu vou ou não vou pro inferno?
Eu acho esse tipo de pensamento muito "egoísta" (eu não sei se é esta a palavra mais correta, mas enfim) uma vez que, aparentemente eu só quero me safar, livrar meu próprio "couro" do fogo eterno do inferno. A minha motivação é o medo e eu quero saber quais regras eu tenho que seguir pra não acabar lá. O João escreveu uma vez sobre como a salvação nos alcança, explicando que nós, por nós mesmos, não somos capazes de alcançá-la. Eu me pergunto, se nós não somos capazes de alcança-la porque seríamos capazes de perdê-la?
Eu, como cristão criado no meio Batista, tive muita dificuldade em entender o conceito de liberdade que Jesus introduziu através da graça derramada por meio da cruz. Eu, de fato, sou livre pra fazer o que eu quiser e o que me pauta nas decisões do dia a dia não é o fato de eu poder, mediante uma atitude ou outra, ir para o céu ou inferno. O que me motiva é o amor que eu sinto por aquele que me ama mais que tudo, que foi capaz de entregar seu próprio filho por mim. O meu desejo pela salvação, hoje, não nasce pela vontade de escapar do inferno. Nasce da vontade de responder ao amor de Deus, mesmo que de forma incompleta e débil.
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