quarta-feira, 9 de julho de 2008

E tem mais uma coisa

É verdade que estou aqui dividindo espaço com três hereges, o que pode dar a impressão errada de que eu concordo com as opiniões pessoais deles ou que não zelo pelos meus leitores, expondo-os a posições doutrionárias inaceitáveis.

Desconfortos de centrar-se em um absoluto. O livre-exame, que João, Éber e Gustavo proclamam, permite que eles façam conviver confortavelmente suas crenças, sem maior agravo. Eu não. Tenho que dizer, na face, que o livre-exame é uma heresia da qual só pode decorrer muitas outras heresias.

Eu não os amo? Claro que amo. Amo os pecadores, sem amar o pecado (até a mim me amo, e odeio meus pecados). Amo os amigos, sem amar seus erros. Amo a Deus vivendo neles. E amo a nossa base comum: As palavras do Cristo na Bíblia. A tradição Católica é um chão onde aqui somente eu ando, assim como eles seguem as tradições anglicana, luterana ou pentecostal.

No entanto, o que me levou a ser católico foi uma grande vontade de encontrar o Cristo real. Procurei, e achei o Santo Apóstolo Pedro, os santos papas seus sucessores, todos os Santos; creio que enquanto isso, Nossa Senhora pediu, e foi Nosso Senhor que me encontrou.

Então, isto claro, digo: Nossa espada comum é para os ateus, para os pagãos, e mesmo para os crentes e católicos que falam de Cristo sem conhecê-lo. É para você ver que esse assunto, o Cristianismo, está cheio de seriedade. Que seus preconceitos contra a fé são apenas isso: superstições modernas. Para os infiéis nossa espada. Mas não somos muçulmanos, então, quem quiser nossa espada pode também fazê-la sua - basta ver que ela é, de fato, uma cruz.

Isto posto, proponho uma brincadeirinha.

Eu acredito que aquele que não pertence à única Igreja de Cristo (preciso dizer qual?), quando morre, vai pro inferno, com exceção daqueles que por ignorância invencível não podem conhecer o evangelho (estes podem-se dizer que sejam batizados por desejo, se obedecem a lei natural) e daqueles que, tendo sido batizados validamente (em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com intenção de perdoar os pecados, tanto original quanto atuais), mesmo que ilicitamente, pertencem à Igreja Invisível, ou seja, mesmo fora da Igreja Católica são seus membros espiritualmente.

Aplicando estes dados, creio que meus três companheiros de blog podem, sim, ir pro céu, se se arrependerem de seus pecados e se amarem ao longo da vida a Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo, deixando este amor crescer e frutificar (eu rezando para que seja numa conversão). Isto é, pela obra de pertencimento mesmo que inconsciente à Igreja, podem se salvar.

Enquanto isso, eles crêem que eu me salve pela fé. Mas basta mesmo ter fé? Creio em um só Deus, Pai Onipotente, e em Jesus Cristo, seu filho unigênito, Nosso Senhor - Isso basta para ir pro céu? Ou senão, que tipo de fé salva e que tipo de fé perde? Com essa questão levantada, encomendo posts.

5 comentários:

João Lemos dos Santos disse...

Num ponto eu concordo contigo: realmente, foi Jesus que te encontrou, e não você ele, tal como ele encontrou a nós também. Menos a participação especial de Nossa Senhora, é claro.

A questão da fé salvadora é complicada. Lutero, por exemplo, cria em regeneração batismal, tornando a fórmula luterana algo mais ou menos como salvação pela fé, mas através do batismo. E lembre, você está perguntando tanto a calvinistas e arminianos aqui, o que resultará em respostas diferentes. Mas um ponto em comum tanto eu como o Nagel (não sei como o Éber vai responder) podemos afirmar: você não se salvou pela fé, mas recebeu a fé de Deus para que fosse salvo.

Mas estou me adiantando. Tenho de supervisionar uma prova de recuperação hoje a noite. Depois disto, deixo um post explicando minha teoria da salvação- isto é, uma perspectiva arminiana tradicional- e onde você se encaixa nela, seu papista imundo. ;)

Igor disse...

Interessante que ao dizer "Nossa Senhora" você se colocou como vassalo da Santa Virgem também, João. E está certo, é Nossa Senhora, minha, tua e de todos nós!

Aguardo teu post. Isto aqui já estava começando a ficar parado.

Abraços!

João Lemos dos Santos disse...

Ah, Igor, me desculpa. Disse Nossa Senhora para não usar aspas, que eu usaria como quotemarks, mas que outros leriam como abomináveis aspinhas sarcásticas, que são ainda mais detestáveis no contexto de discussão religiosa -o "Deus" dos cristãos- a "fé" dos pentecostais- o "batismo" dos católicos- etc. Acho Maria um grande exemplo de fé e submissão a Deus, e um instrumento de valor incalculável no plano de Deus para a salvação humana, mas nunca como intercessora ou autoridade sobre nós. É, como a transubstanciação, algo no qual sou literalmente incapaz de acreditar, seja por coração duro ou pela graça e preservação do Senhor.

Não escrevi o post, mas tracei um esboço dele, e talvez expanda para uma série. Aliás, vou mandar um e-mail pro grupo para propor uma série de posts de cada um expondo sua posição em certos pontos cruciais, começando justamente nesse, a fé.

Igor disse...

Claro que não te desculpo - não seria culpa, mas sorte sua, ter Maria por Senhora. E é claro que eu gostei de ler aquilo, e imaginei que você responderia dizendo que era citação, mas, como diria o melhor filho da melhor mãe, "Tu o disseste".
Salve Maria, Mãe de meu Senhor!

Baccaro de Freitas disse...

Igor, belo post, bro. Se quiser uma ajudinha, posso enviar material católico para você.