quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Hooligans de Covadonga y otras cosas

É uma questão de saúde mental: O católico que hoje não viver espiritualmente em Covadonga é obrigado a viver num acampamento do MST. Faça sua escolha.

Protestantes ainda tem suas Utrechts e Canterburys, mas nós não. Tudo que era nosso se corrompeu. O excesso de beleza, em Viena por exemplo, é mais que decadente - é decadentista. Só em Roma temos ainda alguma glória, mas ameaçada por Satanás, que lá também posui um trono (ainda oculto).

Por isso, não me venham com bodoques, ou levantarei a espada de Carlos Magno. Ora, estamos na Internet. Aqui não corremos risco algum, isso nem é coragem. E ninguém vai sair ferido. Não vejo motivos para qualquer briga horrorizar ninguém.

É claro que o blog tem que ser produtivo; o que não vejo é porque um pouco de combate vai ser sempre anti-produtivo. Viemos fazer mais prisioneiros para Cristo, como dizíamos. Isso pode incluir alguma violência - quem o nega?

E agora, algo completamente diferente.

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O sentimento religioso mais horrível, pernicioso e daninho que existe é o clubismo. É pessimo entre os protestantes, mas ainda pior em católicos. Achar que a graça de Deus é insuficiente para certas pessoas, acreditar na existência de casos incuráveis, é duvidar de uma certeza ontológica do cristão: A corrupção generalizada, ou o pecado original. Todos, sem exceção, somos pecadores e merecedores do fogo do inferno. Até o maior dos santos depende da misericórdia de Deus. Mesmo Nossa Senhora, concebida sem pecado, somente foi livre do pecado por um dom especial, uma graça específica, da parte de Deus; podemos dizer, por sua misericórdia.

Daí dizermos que não há pecador sem esperanças. A todos Deus pode salvar; o sangue da nova e eterna aliança foi derramado por muitos.

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Sobre os assuntos mais recentes, isto é, o quanto nossa confissão cristã afeta nossos hábitos, eu penso o seguinte. Tudo que fizermos por caridade conta para nossa salvação. Para equalizar o problema caridade versus fé, eu declaro de saída que a caridade é fruto necessário da fé, e portanto inseparáveis; a caridade operando pela vontade e a fé pelo intelecto, provindo, porém, ambas, da graça de Deus.

Portanto, pecamos quando agimos sem caridade, quando julgamos sem fé ou quando cremos sem esperança.

Então, é mais pecaminoso se abster de cerveja sem caridade - digamos, para obedecer a um capricho pessoal ou para castigar-se de outros pecados imaginados - que bebê-la em boa disposição. Corruptio optimi pessimi: As privações e abstinências são a coisa melhor da vida, mas somente se vistas como meio de ascese; quando são enxergadas como fins, são piores que a vida religiosa mais básica, que para o católico exige apenas oração diária, missa dominical, dízimo segundo o costume e jejuns quando for o caso, além da obediência aos mandamentos de Deus.

Isso porque a simples obediência leva ao céu, mas a obediência orgulhosa, levada aos extremos, não. A isso aludiu São Cipriano, exortando os membros de uma igreja em sua diocese a que não deixassem de combater a peste que lhes ia ceifando vidas, mas que não se revoltassem por morrerem desta forma, e não martirizados, como prefeririam.

O que não vêem é que o martírio, e o anacoretismo, e as outras grandes exigências da vida religiosa, são para poucos. E para os poucos capazes de responder ao que Deus lhes pede. E sempre que Deus o pede, é para o bem comum. É do sangue dos mártires, junto do Sangue de Cristo, que a Igreja cresceu. É do impulso de Santo Antão vencendo a Satanás que podemos, diariamente, lutar contra este nosso grande inimigo. Porque alguns já o fizeram, todos podemos fazê-lo novamente. Mas se Deus prefere que você alimente seus filhos e deseje bom dia às velhinhas na rua, isto já é o suficiente para Ele.

12 comentários:

Gustavo Nagel disse...

É nessas horas que descobrimos que nascemos para a discórdia.

Eu mesmo andava aborrecido da discussão, vocês sabem. Mas bastou a MissGarfield tratá-la tão pejorativamente, chamando-a ridícula, para que eu passasse a tomá-la como a coisa mais relevante que já fiz nesses meus vinte e três anos de vida.

E não foi tão má assim, poxa.

b.m. disse...

Rapaz, talvez seja minha paranóia, mas sinto repetidamente que alguns trechos de textos seus servem pra insinuar que eu não teria coragem de dizer o que escrevi se estes fossem encontros pessoais. Que essa idéia possa sequer passar pela sua cabeça me incomoda profundamente, então, deixemos isso claro: defendo as mesmas idéias pela internet ou sem internet, dando meu nome ou não dando meu nome; em caso de dúvida, você mora em São Paulo, certo? Estava falando pro John de ir a uma exposição cristã no Masp. Eis a chance. Combinemos que por Gtalk é mais simples.

Igor disse...

b.m., vamos lá:

1) Que eu saiba você não reclamou nunca de qualquer violência, grosseria ou rispidez minha, exceto em uma ocasião em que eu interpretei que você estava sendo irônico. Devo fazer notar que quando eu usei as palavras "baitola" e "sissy" eu estava em uma condicional.

2) Não, eu não acho que fora da internet te faltaria coragem para dizer as mesmas coisas, por um simples motivo: Eu não acho nada de você exceto o que eu escrever;
2.1) E você nem precisaria de coragem para me falar qualquer destas coisas na rua. Eu sou saudável, alto, forte, treinado em duas artes marciais, esgrima e tiro, e até mesmo sou bonito e corado, mas em geral manso como um boi.
2) Eu não moro em São Paulo, e sim no RJ. Vou às vezes a SP, mas sempre com muita pressa. Então não iremos juntos ao Masp.

b.m. disse...

Só pra desencargo de consciência, filho, não precisa ficar agitado.
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Mas, que legal, esgrima e tiro? Eis dois esportes que eu faria. Mas sou sedentário, magrelo, saudável por força do hábito e não muito corado, so, no sports for me.
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Já que estamos nessa de dizer o que você pensa de mim, eu fiquei me perguntando sobre qual era a diferença entre burro vulgar e burro não-vulgar, e, já que você queria que eu me filiasse a algum partido, acho que eu me filiaria de bom grado ao PSB, então você pode dizer que eu sou do PSB.

Igor disse...

Agitado, eu? De onde você tirou isso?

b.m. disse...

Muita explicação pra uma coisa besta, e você citou que lutava milhares de lutas sem precisão.
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Mas você fez mesmo esgrima e tiro? Quanto custa pra fazer essas coisas? Eu quero fazer esgrima desde criança.
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E qual é a diferença entre burro comum e burro vulgar?

Igor disse...

Não é uma coisa besta. Se eu te acusasse de covardia isto seria grave. Pelo menos eu acho.

Duas artes marciais, esgrima e tiro não são milhares de lutas. Conte melhor.

Fiz as duas coisas de graça. Quem tem padrinho não morre pagão ;-)

A diferença entre burro comum e vulgar? Depende. Se você entende vulgar e comum como sinônimos, como eu, nenhuma. O que quis dizer com burrice vulgar é isso: Uma burrice indistinta, sem graça, afeita a baixarias, oposta a uma burrice grandiosa, elegante e/ou esteticamente agradável.

João Lemos dos Santos disse...

Sabem o que eu acho? Acho que não quero ver mais uma briga que vá de comentários a posts em blogs diferentes e em grupos de discussão por e-mail.

Tendo dito isto; Igor, não sabia que já fizeste tiro e esgrima. Se eu tivesse feito, acharia alguma forma de incluir isto em todas as minhas conversas. E se soubesse como usar uma espada, aí sim nada me impediria de andar por aí com uma bengala-espada, procurando por aventuras. Você está desperdiçando seus dons ao não lutar contra o crime durante seus passeios, hombre.

b.m. disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Igor disse...

b.m.: Seu comentário foi excluído. Vá ofender os santos em local adequado para isso, como eu suspeito que seja o chiqueiro que você deve chamar de casa.

b.m. disse...

Ofensivo, se não fosse verdadeiro: minha casa não vale mesmo muita coisa. Mas não quis ofender os santos, Igor, quis irritar você. Eu fui batizado na basílica de Aparecida e dizem que só nasci por conta de promesa à acima citada. Tenho carinho pela imagem. Eu não ofendo santos.

Igor disse...

Você conseguiu as duas coisas: Ofender os santos e por isso mesmo me irritar. É pela primeira delas que seu comentário foi excluído, não pela segunda - você já vinha sendo irritante há muito tempo.

Sua casa se torna um chiqueiro não por si mesma, mas por sua presença dentro dela. E sorte sua ter sido batizado na Basílica, e ter nascido por causa de uma promessa. Pena que a Santa não se tenha mantido presente em sua vida - mas não por culpa dela. E se você não ofendesse santos, não os teria ofendido.

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E agora, b.m., perceba que este assunto já devia ter acabado há muito. Se você realmente tivesse alguma consideração pelo John, imagino que tentaria não minar o blog pelo qual ele tem tanto carinho com provocações e ofensas que de minha parte seriam sempre respondidas, exceto porque a partir de hoje, cada comentário seu em post meu será excluído sem leitura.